CRÍTICAS ESTREIAS

O Amante Duplo: Jogo de espelhos

É bom avisar: logo nas primeiras cenas, o cineasta francês François Ozon (Dentro de Casa) exibe um plano bastante realista de um exame ginecológico, talvez pouco palatável para paladares mais clássicos.

E não para por aí na ousada encenação da trama sobre uma jovem ex-modelo que, ao procurar terapia para tratar suas misteriosas dores no ventre, acaba envolvida na conturbada relação de dois psiquiatras irmãos gêmeos.

O exercício estético e narrativo de Ozon é livremente inspirado no romance Os Gêmeos, de Joyce Carol Oates, sob pseudônimo de Rosamond Smith. Também dialoga com Gêmeos – Mórbida Semelhança (David Cronenberg), Irmãs Diabólicas (Brian de Palma), o suspense e o erotismo de Alfred Hitchcock, Roman Polansky, Pedro Almodóvar e Paul Verhoeven.

São muitas referências amalgamadas em um roteiro irregular que, apesar de exigir intensidade de Marine Vactch (Jovem e Bela) e Jérémie Renier (Saint Laurent), do estilismo visual soberbo, do erotismo e da boa trilha sonora de Philippe Rombi, deixa a desejar.

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