CRÍTICAS ESTREIAS

O Doutrinador: Anti-herói nacional aniquila corruptos

Os heróis surgem em resposta aos anseios de seu público. A irritação do designer Luciano Cunha fez nascer um matador de corruptos que ganhou fama durante os protestos de junho de 2013, e que agora chega às telas e, em breve, estará também na TV.

No cinema, O Doutrinador troca a realidade por uma Gotham nacional. Nesse cenário de faz de conta, seus alvos são políticos fictícios, consequência de um processo sofrido pelo quadrinista após a primeira história mostrar o herói despachando figuras conhecidas do cenário nacional. Ainda assim, o personagem é reflexo do desejo geral de que alguém “dê jeito” na situação e entregue uma sociedade limpa, com autoridades honestas e eficientes.

O Doutrinador nas telas também ganha uma origem para o seu ódio. Vivido por Kiko Pissolato, o personagem é Miguel, um policial que se frustra ao ver criminosos de colarinho branco e grosso calibre escaparem da cadeia graças a estratagemas legais e à corrupção. Para completar sua história, uma tragédia pessoal o empurra de vez para o papel de matador.

Adepto da escola de atores que faz suas próprias cenas de perigo, Pissolato está ótimo como o herói de ação e também nos momentos dramáticos, quando tem a chance de mostrar mais do que a capacidade física. Obrigatório para todo vigilante, o Doutrinador tem um parceiro, e nessa era da informação, nada melhor do que alguém com os dedos no teclado como a hacker Nina (Tainá Medina).

Além de equilibrar a testosterona, a personagem também tem uma história pessoal que parece apontar para mais uma vítima da corrupção no País. Seria interessante ver o caso explorado na série que deve estrear em 2019.

Filmado em São Paulo, O Doutrinador está recheado de diversão extra para moradores e conhecedores da cidade, que vão reconhecer o Theatro Municipal, o Edifício Banco de São Paulo e outros pontos da capital que servem de cenário para a aventura. Não faltam tiros, cenas com o herói no topo dos prédios como um anjo vingador e uma trilha sonora de impacto.

Como vilões, os políticos por vezes parecem exagerados, mas não é impossível imaginar corruptos gargalhando nos bastidores em um país onde caixas cheias de dinheiro vivo e cédulas na cueca fazem parte do noticiário.

O Doutrinador é acelerado, divertido e, melhor, catártico.

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