CRÍTICAS ESTREIAS

O Espaço Entre Nós: Marciano apaixonado

Poderia ser mais um romance juvenil, não fosse um detalhe espacial: ela vive na Terra, ele em Marte. O Espaço Entre Nós – ou melhor, entre eles – é uma questão de cerca de 220 milhões de quilômetros, que podem ser percorridos entre 150 e 300 dias, dependendo da velocidade da nave, do combustível e outros tantos detalhes técnicos. Mas o único que sabe disso é Gardner (Asa Butterfield), que diz à Tulsa (Britt Robertson), a jovem com quem tem conversado por Skype, que não pode visitá-la no Colorado porque vive preso em sua casa em Nova York, vítima de uma doença nos ossos.

Tulsa não iria acreditar se ele contasse a verdade, mesmo porque sua existência é um segredo. A mãe de Gardner partiu para colonizar Marte sem saber que estava grávida e o criador do projeto, Nathaniel (Gary Oldman), teme que se o mundo descobrir a presença de um bebê por lá, a missão vai por água abaixo. Assim, por 16 anos Gardner viveu na Estação Espacial, junto aos astronautas. Só que a adolescência chegou e com ela a inquietude, os questionamentos, a curiosidade, os hormônios e, claro, a rebeldia. Ele quer ir à Terra encontrar Tulsa e descobrir o paradeiro de seu pai, mas sabe que seu corpo terá de enfrentar a gravidade e outros obstáculos para sua saúde. É simples, e nada simples.

Tulsa passou a vida pulando de uma família adotiva para outra, é invocada e desconfiada da felicidade. Gardner é inocência e doçura personificadas. O diretor Peter Chelsom (Escrito nas Estrelas) encontrou os atores certos para explorar essa dualidade. É um amor à moda antiga que se tem aqui, com direito a artigos raros como cavalheirismo e romantismo. As meninas vão suspirar com os olhos azuis e o sorriso doce de Asa Butterfield. O garotinho de A Invenção de Hugo Cabret (2011) tem 20 anos, mas não parece.

O encontro na Terra, obviamente, vai acontecer, e a dupla sai estrada afora atrás do pai de Gardner. No estilo road movie, a trama tem mais acertos que erros, além de um par de reviravoltas. A perseguição paralela empreendida pelo personagem de Gary Oldman e Carla Gugino (que faz a astronauta que acompanha Gardner na viagem à Terra) quebra um pouco o ritmo. Mas o que vale é a história de amor e não há como não torcer pelos pombinhos.

Cotação: ***

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