CRÍTICAS ESTREIAS

O Estado das Coisas: Ben Stiller em crise existencial

A grande maioria do público conhece Ben Stiller por comédias como Uma Noite no Museu, Entrando Numa Fria e Quem Vai Ficar com Mary?. Mas quem segue de perto sua carreira sabe que ele é também produtor, roteirista e diretor, e que nos últimos anos tem buscado alternativas ao estilo pastelão. É um Stiller mais sutil e interessado em olhar para si mesmo ou para aqueles que, assim como ele, estão na entrada da meia-idade.

Em A Vida Secreta de Walter Mitty, que dirigiu em 2013, já dava sinais dessa virada no papel de um sujeito ordinário em busca de algo extraordinário. Pouco depois formou par com Naomi Watts em Enquanto Somos Jovens, de Noah Baumbach, novamente como um cara entediado no trabalho e no casamento, que recebe um jato de energia ao conviver com um casal de vinte e poucos anos.

Pois neste ano Stiller travou nova parceria com Baumbach na comédia dramática Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe (disponível na Netflix), em que o título já diz tudo, e protagoniza a estreia desta semana, O Estado das Coisas, um drama leve sobre questões profundas. A verdade é que a moçada fã do Ben Stiller comediante vai achar o filme uma chatice. O papo aqui é de adulto para adulto. Brad, seu personagem, acompanha o filho em viagem a Boston para fazer um tour por faculdades, com parada para uma entrevista em Harvard.

Enquanto vê o rapaz com um futuro fresquinho pela frente, ele olha para o seu presente e se morde de inveja de amigos da juventude que se tornaram milionários e famosos. Brad trabalha em uma ONG e leva uma rotina pacata com a família. O enredo não vai muito longe nessa crise e derrapa em alguns clichês do tipo “a vida dos outros não é tão maravilhosa quanto você pensa”. O que toca aqui é o sentimento de empatia que ele provoca em quem está nessa fase da vida. As inquietudes do protagonista são autênticas e pode ter certeza que Stiller interpreta com conhecimento de causa.

Publicidade

Deixe o seu Comentário