CRÍTICAS ESTREIAS

O Lamento: Terror de tirar o sono

Esses coreanos sabem botar medo na gente. Tive de dormir de luz acesa depois de assistir a O Lamento. Bem verdade que ando meio covarde em relação aos filmes de terror, mas seguro o pânico para não perder um cinema de qualidade. E, neste caso, as imagens grudaram por um bom tempo na memória – o que é prova de que a experiência valeu cada minuto.

Não se trata aqui de um enredo perfeito, porque nem tudo se explica ou faz sentido. Mas o cineasta Na Hong-jin (O Caçador) é um exímio construtor de atmosferas. Um vilarejo da Coreia do Sul é abalado por uma carnificina familiar. O assassino e único sobrevivente parece um zumbi cheio de pústulas. Uma dupla um tanto atrapalhada de policiais locais começa a investigar, sem muito interesse, mas novas mortes aumentam o alerta de pânico. E o matador está sempre naquele misterioso estado lisérgico.

Será uma epidemia, uma possessão demoníaca? A presença de um japonês na floresta local levanta suspeitas, e os próprios policiais têm visões macabras, mas são tão tapados que não as levam a sério. Humor e terror se alternam com vigor e a trama ganha densidade quando a filha pequena de um dos tiras apresenta sinais de possessão. Aí dá pena…

Até um xamã entra na história e protagoniza uma sequência catártica e ensurdecedora de exorcismo. A duração é exagerada e o diretor faz uma mistura um tanto desordenada de elementos do gênero – de zumbis e demônios a fantasmas. Só que seu caldeirão é bem temperado e deixa o espectador no suspense de que pedaço virá em cada garfada.

Cotação: ***1/2

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