CRÍTICAS ESTREIAS

O Motorista de Táxi resgata episódio histórico pouco conhecido

O representante da Coreia do Sul no Oscar 2018 não entrou na disputa, mas isso é detalhe em uma obra repleta de qualidades. Ah, não tem nada em comum com seu quase homônimo Motorista de Táxi (Taxi Driver), o clássico de Scorsese, a não ser a profissão do protagonista.

O Motorista de Táxi é inspirado em história real, e no final tem inclusive um vídeo do verdadeiro Jurgen Hinzpeter, o jornalista alemão que revelou ao mundo um momento negro da história da Coreia do Sul: o Massacre de Gwangju. O diretor Jang Hung pode ter tomado todo tipo de licença poética, mas se metade do que ele narra aqui aconteceu, já é mais que notável.

O astro Song Kang-ho é conhecido pela parceria com o diretor Bong Joon-ho em O Hospedeiro, Memórias de um Assassino e Expresso do Amanhã – também foi o Mr. Vingança, sob a batuta de Park Chan-wook. Aqui ele é um motorista de táxi, viúvo e pai de uma garotinha, que trabalha em Seul. Em uma jogada oportunista, ele rouba o passageiro de um colega, justamente o repórter alemão (Thomas Kretschmann, de Vingadores: Era de Ultron), que está na Coreia do Sul atrás de notícias. É 1980, um ano depois do fim de uma ditadura de 18 anos. Só que a democracia acaba de tomar novo golpe e há rumores de um levante contra os militares em Gwangju. Pois é para lá que vão taxista e jornalista, sem noção da real situação e de como a experiência será transformadora.

Até agora pouco conhecido, o diretor dá a largada em tom de comédia, focado no estranhamento entre os protagonistas e nos tipos inusitados com que cruzam pelo caminho. Esse primeiro ato é só para tomar fôlego para a etapa final, nas ruas de Gwangju, onde tensão, perseguição e violência tomam forma sem aviso, um horror. O papel fundamental dos taxistas locais no desfecho vai arrancar lágrimas.

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