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O Negócio: O fim da história

Primeira série latino-americana da HBO a somar quatro temporadas, O Negócio chega ao fim como uma estrela brilhante no currículo da HBO. A última temporada, que chega neste domingo, leva a história a uma nova fase. Mais uma vez, Karin (Rafaela Mandelli) é a força motriz da narrativa. Autora na primeira temporada do projeto de criar uma empresa e utilizar no sexo pago as mesmas regras aplicadas a qualquer outro empreendimento, o objetivo dela agora é lançar um livro contando sua história. O que obriga Luna (Juliana Schalch), Magali (Michelle Batista) e Mia (Aline Jones) a serem igualmente abertas e contar para pais e familiares que são garotas de programa, sobrando para o sempre interessante Ariel (Guilherme Weber) também explicar para sua respeitável “mammy”, que sua renda vem do nada respeitável e ilegal serviço de cafetinagem.

“A gente nunca planeja tanto porque a gente não fazia ideia de que ia bater recorde e ser a primeira série da América Latina a ter quatro temporadas, Mas essa coisa delas estarem nas sombras durante as três primeiras temporadas, a gente sabia que em algum momento iria pedir essa situação de: chega, agora vou para os holofotes, vou parar de ficar andando nos subterrâneos escondida e vou mostrar a minha cara”, explica Michel Tikhomiroff, diretor geral da série que a Preview encontrou na última coletiva da produção. “A gente sabia que esse elemento era tentador, a gente sabia: algum dia, se a série se prolongar, eventualmente é capaz da gente usar, mas não foi tão planejado assim, a gente foi planejando de temporada em temporada. Mas esse gancho principal da quarta era sempre uma coisinha que ficava na cabeça dos roteiristas, a gente sempre falava sobre isso. A gente chegou a flertar com isso na segunda temporada, falamos será que é hora? Acho que não, houve um vai e volta”, ele completa.

A caminho desse momento, a produção acompanhou o crescimento das garotas no mundo empresarial, abandonando a comédia à custa dos lemas de marketing que deu o tom da primeira temporada. “Era uma progressão natural”, explica Tikhomiroff, “porque marketing é um aspecto. Depois, elas começam a entrar realmente em estratégias de business, começam a virar empresárias de fato”, aponta o diretor. “A gente tinha de evoluir e esse era o primeiro passo”, completa. Evolução que desemboca no objetivo de Karin, que vai além da honestidade. A mais cerebral do grupo, ela quer também enfrentar o preconceito e mostrar que ser garota de programa, no caso dela e de suas sócias, é uma opção profissional que em sua opinião, deveria ser vista como algo tão comum e respeitável quanto as carreiras mais tradicionais. Uma discussão para a qual Rafaela Mandelli considera a série um veículo adequado.

“Se você levanta qualquer tipo de assunto e isso passa a ser uma discussão, você já está contribuindo para que o diálogo aconteça. E a série faz isso, a Karin batalha por isso desde o primeiro episódio, e nessa quarta temporada, isso vem mais forte ainda, até as últimas consequências. Ela é uma pessoa que luta muito para conseguir que as pessoas aceitem o que ela é o que ela faz e a gente vai ver isso muito profundamente nessa quarta temporada. E é uma coisa que vem num crescente. Já se enxerga isso na Karin na primeira temporada, e só vai aumentando. É uma discussão que é colocada e faz as pessoas pensarem, perguntarem, conversarem. Então, se você levanta qualquer tipo de assunto que seja relevante a ponto das pessoas trocarem informações ideias, discussões, isso já está contribuindo para que o diálogo aconteça”, defende a atriz.

O que não quer dizer que a série abandone seu modelo de mesclar comédia e drama. “Eu tenho essa percepção de que a gente sempre tem de equilibrar, a gente flerta com vários gêneros, tem um pouco de suspense em alguns episódios, ação”, aponta Tikhomiroff. Esse equilíbrio começa logo no primeiro episódio, quando as reuniões das garotas com suas respectivas famílias não terminam necessariamente em drama como seria esperado, mas em situações inesperadas, algumas engraçadas, e novas informações. Em especial sobre Magali, a única, como aponta Michele Batista, a usar o próprio nome dentro e fora do ambiente profissional simplesmente porque não se importa com nada disso. Ao contrário de Luna, que se vê em mais um plano mirabolante criado por Oscar (Gabriel Godoy) para tornar a revelação palatável para a família da moça. E que inclui a entrada de Camilo (Rodrigo Pandolfo), que vai formar dupla com Oscar nas trambicagens do personagem, que quase sempre carrega a responsabilidade de alívio cômico nos episódios.

Na esfera pública, a ideia de lançar um livro com a trajetória de quatro prostitutas de luxo que transformaram sexo pago em uma grande empresa de mercado aberto também enfrenta obstáculos, com os editores cautelosos sobre as revelações que o volume vai trazer. Afinal, nesses tempos politicamente corretos, nenhuma companhia quer dizer aos acionistas que um de seus negócios é um bordel, ainda mais se isso atrair a atenção de um programa de TV com um âncora conservador, papel que Eduardo Moscovis assume na quarta temporada.  “As grandes companhias todas têm laços com coisas que não gostam de dizer. Produzem armas, produzem remédios que são meio estranhos em algum lugar, todas elas têm, então, essa preocupação. Acontece o tempo inteiro. Eu acho isso muito genuíno para a história”, aponta o produtor Roberto Rios, que com o fim da série, anuncia o que vem por aí. “O nosso desafio agora é seguir encontrando novos projetos. Igual a esse, nunca mais”, assinala.

Quatro histórias: as atrizes escolhem seu momento favorito na série

Michelle Batista: Eu gosto muito do episódio com a minha avó (participação especial de Ana Rosa). Porque a Magali é a única que não fala tanto da família, não mostra tanto a família, não só a avó, mas os pais que aparecem na nova temporada. É muito legal, porque mostra coisas da Magali que ela não fala. E aí você entende porque ela é daquele jeito.

Juliana Schalch: eu gosto muito da história do orgânico. Acho que a Luna faz uma idealização de tudo na vida dela, então quando entra o cara dos orgânicos, ele á personificação do que é idealizado por ela, só que ao mesmo tempo, ele não é. Ele é uma pessoa mais comum do que ela imaginava, mais da terra do que ela gostaria. Ela entra numa crise com o orgânico, com o Oscar (Gabriel Godoy) rque são muitas contradições dentro de uma pessoa só.

Rafaela Mandelli: O mote inicial, a coisa do marketing, o início da primeira temporada que é a porta de entrada nesse processo todo, a Karin tirando ideias da manga o tempo inteiro, depois ela começa colher tudo o que ela planta. Mas nessa primeira temporada, esse campo das ideias, o fato dela conseguir ter uma ideia que consegue fazer com que as meninas fiquem completamente independentes, donas da própria vida.

Aline Jones: Tem uma cena da quarta temporada em que a Mia sai do banheiro completamente nua e ela age como se estivesse vestida. Fazer essa cena para mim, eu saí de lá me sentindo tão poderosa. Eu nunca tinha feito isso com ninguém, uma coisa, quer saber, vou colocar um salto e sair daqui nua desse banheiro. Foi uma cena significativa, num lugar de empoderamento mesmo, uma cena f*** e eu sou capaz de ser essa mulher.

HBO, 18/3, 21h

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