CRÍTICAS ESTREIAS

O Outro Lado da Esperança: Humor peculiar com a crise dos refugiados

A situação não pode ser mais complicada para Khaled, o jovem refugiado sírio que chega a Henlsinque, capital da Finlândia, dentro de um contêiner de carvão. Ele fala pouco, tem uma cara invocada, mas pede asilo e conta que está atrás da irmã, de quem se perdeu em alguma fronteira, depois de ter a família morta. Pouco antes, o espectador é apresentado a Wikhström, um cinquentão que decide mudar de vida. Ele abandona a esposa alcoólatra, larga o emprego de vendedor de camisas, se arrisca no pôquer e planeja abrir um restaurante.

Vencedor do Urso de Prata de melhor diretor no Festival de Berlim 2017, Aki Kaurismäki não faz cinema para o grande público. Quem assistiu a O Porto e O Homem Sem Passado já conhece seu ritmo lento, o toque melancólico e um estilo visual único, em que cores fortes e opacas convivem em harmonia. Tem gente que acha entediante, com jeitão ultrapassado e as atuações frias. Tudo verdade, e tudo intencional.

País nórdico situado bem ao norte da Europa, a Finlândia tem menos de 6 milhões de habitantes, é referência mundial em educação e tem uma das maiores rendas per capita do mundo. Então por que afinal é duro ver um sorriso no rosto daquela gente? Será o frio? A temperatura média anual em Helsinque é de 5,3 C. Vai saber…

Essa aparente apatia acompanha cada um dos personagens de O Outro Lado da Esperança, mas é justamente daí que brota o humor, cínico e absurdo. Buster Keaton, o mais sério dos palhaços, dominava essa arte como ninguém. Pois os destinos de Khaled e Wikhström acabam por se cruzar e através deles e de outros tipos inusitados o diretor banha a tela com uma ternura inesperada. Se você está cansado de comédias bobinhas, dê uma chance para esse cineasta finlandês premiadíssimo que olha o ser humano com otimismo.

 

 

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