CRÍTICAS ESTREIAS

O Paciente – O Caso Tancredo Neves: Os bastidores da morte

Em 1985, vinte e um anos depois de um períodos mais negros da história do Brasil, a esperança estava depositada em Tancredo Neves, mineiro de 75 anos que se tornaria presidente e selaria o fim da ditadura militar.

Ele chegava ao posto depois de ter sido deputado estadual e federal, governador de Minas Gerais, senador e primeiro-ministro de João Goulart. Um dia antes da posse, sentiu uma forte dor abdominal e foi hospitalizado. Foram 39 dias, 1 transferência hospitalar e 7 cirurgias. Em 21 de abril, o País chorou a morte de Tancredo e herdou como líder seu vice, José Sarney, que dispensa apresentações.

O Paciente é sobre esse breve, porém fundamental, período histórico. Baseado no livro homônimo do historiador Luís Mir, o filme dirigido por Sérgio Rezende (Em Nome da Lei) examina os bastidores do burburinho político em torno da internação e, principalmente, o universo à parte que se criou no Hospital de Base de Brasília e depois no Hospital das Clínicas de São Paulo.

Fãs de thrillers médicos têm aqui uma narrativa envolvente, com direito à guerra de egos, erros e troca de acusações, além de realistas sequências cirúrgicas. Por outro lado, Rezende se debruça sobre o drama da família e do próprio Tancredo, ciente da própria gravidade, e a produção ganha o teor humano que eleva a dramaturgia.

Othon Bastos comove como protagonista e o elenco é todo muito bom. Para quem não viveu a época, vale como drama médico e histórico. Para quem foi testemunha, é uma sessão nostalgia que levanta um incômodo “e se”. O que seria do Brasil se Tancredo Neves tivesse subido a rampa do planalto? É de tirar o sono…

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