CRÍTICAS ESTREIAS

O Poderoso Chefinho e O Mundo Fora do Lugar: Irmãos de surpresa

Duas estreias, uma animação e um drama, abordam a relação entre irmãos em histórias nas quais, coincidentemente, a convivência fraternal começa de surpresa e tumultuada.

O PODEROSO CHEFINHO

Esqueça a referência ao clássico O Poderoso Chefão. Não tem nada a ver. E a questão do corporativismo incutida na trama também serve apenas de pano de fundo para essa animação que fala das dificuldades e das alegrias de se ter um irmão. O Poderoso Chefinho estreou forte nas bilheterias americanas e deve ir bem também por aqui. Não é ótimo, mas tem seus encantos. O narrador, Tim, volta à infância para lembrar da rotina de mimo dos pais, funcionários de uma fábrica de brinquedos, que lhe davam todo amor, atenção e carinho. Até a inesperada chegada de um bebê de terninho, que lhe é apresentado como seu irmão. Como assim, se ele não pediu um?

Tim descobre logo que não tem um bebê comum em casa, mas um mini homem que anda, fala e dá ordens como um adulto. E ele tem uma missão: impedir o lançamento de uma nova raça de cachorros que acabaria com o interesse das pessoas por filhos. Se conseguir, será promovido na Baby Corp., a empresa fornecedora de bebês, e deixará Tim reinar como filho único novamentre. A trama é uma bobagem óbvia e previsível, mas é bonitinho acompanhar as transformações por que passa uma convivência que começa em pé de guerra. A garotada que tem irmãos com certeza vai se identificar.

Cotação: ***

O MUNDO FORA DO LUGAR

A história de irmãos de O Mundo Fora de Lugar é baseada na vida da diretora e roteirista alemã Margarethe von Trotta. Pouco após a morte de sua mãe, ela recebeu a carta de uma mulher pedindo informações sobre ela. Margarethe respondeu, e a segunda carta anunciou: “Eu sou sua irmã”. A verdade veio à tona porque a cineasta usava o sobrenome da mãe, cujo nome foi  parar  nos  documentos pessoais  da irmã, quando os pais adotivos tiveram de provar, durante o período  nazista, que não tinham adotado uma criança judia. “Ela se parece muito mais com minha mãe do que eu, foi  como uma ressurreição”, disse em entrevista. “Minha irmã é 15 anos mais velha do que eu e foi entregue para adoção pela minha mãe sem que sua família soubesse de nada.”

No filme, a descoberta e suas razões são outras. Começa quando o viúvo Paul (Mathias Habich) se depara na internet com uma fotografia da diva da ópera americana Caterina (Barbara Sukowa), que é idêntica à sua esposa, Evelyn. Sua inquietação faz com que a filha Sophie (Katja Riemann) vá a Nova York procurar a desconhecida. Detalhe: Sophie também é cantora, mas de jazz  e blues. A nova parceria da diretora com Barbara Sukowa tem desdobramentos novelescos e não se compara ao sucesso Hannah Arendt – Ideias que Chocaram o Mundo (2012). Os laços que se formam nessa revolução familiar, contudo, rendem cenas emocionantes.

Cotação: ***

 

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