CRÍTICAS ESTREIAS

O Primeiro Homem: Viagem intimista à Lua

Dizer para alguém “Se você gostou de La La Land: Cantando Estações e de Whiplash vai adorar O Primeiro Homem” não significa nada. Os três filmes não têm nada em comum, a não ser o talento descomunal de seu jovem cineasta, Damien Chazelle.

Aos 33 anos, o norte-americano já tem seu Oscar de melhor diretor pelo musical sensação e vai emplacar nova indicação por seu trabalho mais ambicioso até agora: o retrato de um ícone, Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na Lua, em uma conquista que completa 50 anos em 20 de julho de 2019.

Baseado no livro de James R. Hansen, o roteiro de Josh Singer (Spotlight – Segredos Revelados) não é uma cinebiografia e sim um recorte que abarca dois momentos cruciais na vida do astronauta, e revela como o sentimento de perda e de vitória fundem-se em um mesmo suspiro em uma cena catártica no  solo lunar.

Somem o colorido de La La Land e os ânimos exaltados de Whiplash. A quietude guia esse sujeito obstinado, que encontra no projeto da NASA um motor para seguir em frente após uma tragédia familiar.

Ryan Gosling entrega uma atuação minimalista, de respiração contida e olhar ausente. Chazelle explora duas frentes: casa e trabalho. Nesta segunda, investe no realismo usando o mínimo de efeitos especiais e destaca o risco absurdo a que os astronautas se submetiam a bordo de foguetes artesanais.

No ambiente doméstico, Armstrong parece ter se fechado para o amor e mal compartilhava o dia a dia com os outros filhos e a esposa, Janet – interpretada com maestria pela inglesa Claire Foy (da série The Crown).

O diretor evita patriotadas, nada de bandeiras flamejantes. Sua visão da viagem à Lua não é a de um feito do país na corrida espacial, mas a jornada de um homem que precisa ir além da estratosfera para conseguir voltar para si mesmo.

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