CRÍTICAS ESTREIAS

O Processo: Visão engajada do impeachment

Exibido no Festival de Berlim e premiado na Suíça, o documentário O Processo, de Maria Augusta Ramos, revela os bastidores do julgamento que culminou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016. Depois de passar meses em Brasília, acompanhando cada passo do processo e testemunhando a profunda crise política e o colapso das instituições democráticas no País, a diretora captou 450 horas de material.

Com a intenção de compreender e refletir sobre o atual momento político brasileiro, o longa apresenta Dilma como tema principal, mas não protagonista. Aqui, outros personagens bem conhecidos do público ganham mais destaque. Há imagens de momentos marcantes, como a votação que durou nove horas para decidir sobre o impeachment.

Maria Augusta cria um clima tenso e frenético em sua narrativa, que em certos momentos lembra um filme de ação e suspense. O circo armado nos corredores do Congresso é registrado do ponto de vista político da diretora, que não se preocupa em se posicionar. Em O Processo, ninguém fica em cima do muro.

Se o cinema pode ser considerado um ato político, então Maria Augusta acerta em cheio e apresenta também momentos inéditos dos bastidores de um período tenso e sombrio da nossa história com debates, reuniões e até situações cômicas. Tratando-se de um filme, sabemos que os créditos finais precisam subir, mas na vida real ainda estamos longe de colocar um ponto final nesse conturbado cenário.

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