CRÍTICAS ESTREIAS

O Quebra-Cabeça: Peças da vida

Agnes (Kelly Macdonald) tem 40 anos, dois filhos crescidos e um marido trabalhador. Mas seu visual e suas ações parecem os de uma senhorinha pacata e religiosa dos anos 50. A sequência inicial é um painel esclarecedor da rotina dessa mulher que vive para servir os outros e sai de casa apenas para fazer compras e rezar.

O público jovem não deve se interessar muito por O Quebra-Cabeça, principalmente pelo perfil antiquado da protagonista. Mas o drama de Agnes, presa em uma bolha doméstica, provoca empatia no espectador mais maduro, que herdou da geração de 68 as conquistas sociais que tantas portas abriram para as mulheres do novo século.

Para Agnes, o desejo de tomar as rédeas da própria vida toma a forma das peças de um quebra-cabeça que ela ganha de aniversário. O passatempo desperta um entusiasmo inédito e acaba por colocá-la em contato com Robert (Irrfan Khan), um indiano podre de rico que participa de competições de quebra-cabeças.

O diretor Marc Turtletaub é mais conhecido como o produtor de filmes centrados na família, entre eles Pequena Miss Sunshine e Mais Forte que Bombas. Nesse remake de um sucesso argentino, Rompecabezas, ele examina as mudanças tanto no núcleo familiar quanto no íntimo de Agnes.

As peças se encaixam rapidamente, mas não há soluções fáceis em O Quebra-Cabeça, e muito menos na vida real.

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