CRÍTICAS ESTREIAS

O Rei do Show: Um hino à diversidade

Na primeira vez que assisti à La La Land – Cantando Estações  – e foram inúmeras -, o principal sintoma, além do encantamento, foi ir direto ao YouTube atrás das canções que deram o Oscar a Benj Pasek e Justin Paul. “City of Stars” e “Mia & Sebatian’s Theme” me emocionaram quase ao ponto do tema de Cinema Paradiso, a obra-prima composta por Ennio Morricone. Vibrei demais com as canções que Pasek e Paul criaram para O Rei do Show, mas eis que escrevo essa resenha ouvindo a trilha de….. La La Land.

Diretor da versão live action de A Bela e a Fera e Dreamgirls: Em Busca de Um Sonho, Bill Condon é um dos roteiristas desse musical que conta a história de Phineas Taylor Barnum, ou P.T. Barnum, um pobretão que fez fama e fortuna no século 19 ao fundar o Barnum & Bailey Circus.

A trupe do showman era formada pelos tipos mais excêntricos que ele conseguiu reunir. Excêntrico aqui é eufemismo para marginalizado: o anão, o gigante, a mulher barbada, os gêmeos siameses, os trapezistas negros, o gordo, o albino e qualquer ser que estivesse fora do que era considerado “normal”.

A intolerância é o grande mal do novo milênio e esse olhar para o século retrasado atesta que evoluímos muito pouco como ser humano. O diretor estreante Michael Gracey evita a panfletagem e foca mais no determinismo de Barnum em vencer na vida. Essa jornada, porém, é uma faca de dois gumes. Barnum é vítima de preconceito por sua origem humilde, mas às tantas discrimina os membros da trupe quando cai nas graças da alta sociedade.

Hugh Jackman sonhava contar essa história desde 2009 e não há dúvida que o sucesso de La La Land ajudou o projeto a ganhar o aval da Fox. Vencedor do Tony pela atuação na peça da Broadway The Boy From Oz, Jackman já havia soltado a voz na tela grande como Jean Valjean em Os Miseráveis, que lhe rendeu um Globo de Ouro e uma indicação ao Oscar. Na pele de P.T. Barnum, ele mostra também seus dotes de dançarino e já está nomeado ao Globo de Ouro – o filme está indicado a melhor comédia ou musical e na categoria melhor canção original, para “This is Me”.

Zac Efron revive os dias de High School Musical e deve atrair os velhos fãs agora com o visual bombado visto em Baywatch. Ele faz o riquinho que arrisca perder a herança para viver novas emoções como sócio de Barnum. Michelle Williams (Manchester À Beira-Mar) interpreta a esposa do protagonista e também tem sua sequência musical (bem sem sal). É Rebecca Ferguson (Missão Impossível: Nação Secreta) quem vai deixar o público de queixo caído como uma cantora de ópera. Vocês não vão acreditar na voz sublime e na beleza etérea da atriz em cena.

O Rei do Show não é extasiante, mas tem grandes momentos e uma mensagem de tolerância que nunca é demais enfatizar.

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