CRÍTICAS ESTREIAS

Olhando Para as Estrelas: Dançando no Escuro

Há vinte anos, uma ONG ensina balé clássico para jovens deficientes visuais. A instituição merece ser registrada em documentário ou matéria jornalística, que provavelmente renderiam material bem meloso. Na contracorrente dessa maré de obviedade, Olhando para as Estrelas respeita seu objeto de estudo e seu espectador ao adotar um tom mais contido.

O filme usa duas jovens como fio condutor central, mas colhe depoimentos de outras pessoas ao redor das protagonistas. Com as falas de familiares, professores e outras dançarinas, um panorama mais completo é traçado.

O longa tem uma estrutura bem tradicional e não foge das emoções, porém em momentos pontuais, quando é apropriado deixar a atmosfera mais intensa. No restante do tempo, a produção se dedica a mostrar a rotina das dançarinas, com uma mistura bem equilibrada de temas que são inerentes à deficiência visual e assuntos mais universais da juventude. Assim, mantém-se o compromisso respeitoso que o filme propõe.

O roteiro sabe explorar acontecimentos que se desenrolaram durante as gravações para criar boas guinadas na dramaturgia. É aí que reside o frescor do documentário, que poderia facilmente ser apenas mais um título motivacional como tantos outros. Felizmente, Olhando para as Estrelas é mais.

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