CRÍTICAS ESTREIAS

A Outra História do Mundo: Inteligência e subversão

A educação é um poderoso fator de mudança social. Por isso tantos filmes apoiam sua carga emotiva na potência de um educador, uma receita seguira por A Outra História do Mundo. Apesar de uma boa volta narrativa até o começo das aulas de fato, e apesar do conteúdo pedagógico das mesmas não ser totalmente factual.

Expliquemos. Tudo começa em uma pequena cidade uruguaia em 1983, quando dois amigos se rebelam contra a decisão de instituir um toque de recolher no local. A vingança se dá pelo sequestro dos anões de jardim do coronel (Néstor Guzzini, de Sr. Kaplan), figura que representa o regime totalitário na região.

Os problemas começam quando a participação de Milo (Roberto Suárez, de O Silêncio do Céu) no plano é descoberta. Ele desaparece, o que obriga o amigo Esnal (César Troncoso, de O Vendedor de Sonhos) a se isolar. Uma reação só começa depois que as filhas de Milo entram em cena como motivadores. Com o apoio moral delas, Esnal retoma sua vida e resolve dar aulas de História no clube da cidade.

Nessas aulas reside a maior dose de charme de Outra História do Mundo. O protagonista parte de princípios históricos sólidos, mas inclui personagens fictícios que fazem referência a seu amigo desaparecido, sempre na posição de herói.

Algo entre os famosos “filmes de professor”, como Ao Mestre, com Carinho (1967), e a falácia bem-intencionada do italiano A Vida É Bela (1997). No fim das contas, Esnal usa sua inteligência para combater as autoridades injustas, uma manobra que conquista o coração.

Some o carisma da história com uma direção que se permite a bem-vindas liberdades visuais. Assim se tem um filme agradável, que consegue chegar longe com sua mensagem, embalada em um pacote bem cuidado. Um triunfo em alto nível.

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