CRÍTICAS ESTREIAS

Pais e Filhas: Emoção em dois tempos

O cineasta italiano Gabriele Muccino fez uma parceria com o ator Will Smith que rendeu dois filmes e um rio de lágrimas: Á Procura da Felicidade (2006) e Sete Vidas (2008). Em Pais e Filhas, o objetivo é o mesmo, mas o elenco muda.

A tônica do filme se dá nas primeiras imagens, quando vemos um pai (Russell Crowe, de Promessas de Guerra) e uma filha (Kylie Rogers, de Milagres do Paraíso) arrasados em um sofá. Não é difícil deduzir o que se passou, antes mesmo das cenas que mostram a morte de Carolyn (Janet McTeer, de A Série Divergente: Convergente), esposa de Jake e mãe da garota Katie.

O acidente automobilístico que causou a tragédia deixou marcas psicológicas no romancista. Por isso, ele se interna em uma clínica por sete meses e deixa Katie com tios. Depois desse período, Jake se prepara para assumir a função de pai viúvo, apesar de ainda restar alguma vulnerabilidade mental na forma de surtos de convulsão.

Nesse ponto, damos um salto de 25 anos para encontrar Katie (Amanada Seyfried, de O Natal dos Coopers) na faculdade de psicologia. Ele é uma jovem com problemas para se relacionar, mas ainda não sabemos os motivos de sua solidão. Assim, o roteiro avança paralelamente nos dois períodos para preencher lacunas.

Nessa história de superação pessoal e amor familiar, o destino é o choro. Seja pela ótima atuação da pequena Kylie Rogers, seja pelo uso desenfreado de ferramentas emotivas pelo diretor. Trata-se do tipo de filme que se reserva para momentos em que buscamos lágrimas terapêuticas.

Se em seu propósito emocional o filme acerta, o roteiro peca pela contextualização. Sempre que se quer apresentar personagens, introduzir um novo conflito, ou criar atalhos narrativos; o texto é didático demais. Falta polimento nos diálogos nesses instantes, mas isso não compromete demais o conjunto.

Cotação: *** ½

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