CRÍTICAS FESTIVAIS

Petra: Roteiro de acrobacias perigosas

Existem filmes que têm um sabor especial quando os assistimos sem muitas informações anteriores sobre sua sinopse. O espanhol Petra é um deles, com uma história contada em forma não-linear de personagens com interesses obscuros e farsas. A ideia é que o espectador monte em sua cabeça a linha do tempo e percebe as máscaras. O título faz parte da mostra competitiva do Cine Ceará 2018.

Para adiantar o mínimo, tudo começa quando a pintora Petra (Bárbara Lennie, de Uma Espécie de Família) vai ter uma residência artística com Jaume (Joan Botey), um grande nome das artes plásticas. Logo percebemos que não é apenas aperfeiçoamento estético que a levou àquele lugar.

O quebra-cabeça cronológico se apresenta na forma de cartelas de letreiros que anunciam os acontecimentos a serem vistos a seguir, como os capítulos de um livro. Começamos a sessão de Petra pelo capítulo “2. Sobre como Petra entrou no mundo de Jaume”. A ausência momentânea da primeira parta da história já denota a quebra temporal, que não é o único charme cinematográfico da produção.

A mise-en-scène é envolvente, com um olhar que passeia pela ação em planos alongados que dão espaço para as interpretações do elenco e ressaltam a qualidade dos diálogos. Para seguir nos termos franceses, essa câmera en passant coloca o espectador na posição de uma mosca enxerida a contemplar os conflitos daqueles personagens.

Assim, o longa avança com grande potencial até se obrigar a outra inversão cronológica. Pouco relevante no campo narrativo, tal firula custa caro. A partir daí fica evidente o teor novelesco do roteiro. O tropeço prova-se imperdoável, e Petra se arrasta até seu desfecho, sem fôlego.

No final, a história em si traz teores interessantes com atuações elogiáveis a todos os membros do elenco. Entretanto, “a vida inteira que podia ter sido e que não foi”: Petra não faz jus a suas potências iniciais.

Cotação: ** ½

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