CRÍTICAS ESTREIAS

Ponto Cego transborda fúria e lirismo

Ponto Cego é um dos melhores filme de 2018. Produção independente sensação no último Festival de Sundance, a estreia do mexicano Carlos López Estrada é produzida, escrita e estrelada por Daveed Diggs e Rafael Casal. Assim como na vida real, eles interpretam amigos de longa data, naturais de Oakland, na Califórnia.

Seus personagens, Collin e Miles, cresceram regidos pela cultura da violência. Collin está a quatro dias de sair da liberdade condicional para, enfim, tentar recomeçar a vida. Só que o esquentadinho Miles parece fazer questão de tirar o amigo do trilho com seu comportamento errante.

Nesse ínterim, Collin testemunha o assassinato de um negro desarmado por um policial branco, e não sabe que posição tomar – denunciar ou ficar distante da polícia.

Descrito assim, parece apenas mais um retrato do racismo e da intolerância. E não deixa de ser, verdade, mas o roteiro tem uma energia incomum, com pitadas de humor, romance e diálogos disparados em ritmo de rap e hip hop.

As palavras são tapas na cara, gritam a desigualdade e fazem brilhar dois atores que se entregam de corpo e alma.

Mas ainda é preciso aplaudir o cineasta, que constrói uma sequência de tirar o fôlego envolvendo uma criança pequena e uma arma. S.U.I.

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