CRÍTICAS ESTREIAS

Por que La La Land é irresistível

Assisti a La La Land – Cantando Estações duas vezes, e sei que serão inúmeras. Há sintomas que se repetem ao fim da sessão. A gente sai com uma mescla de alegria, encantamento e melancolia, e a vontade de correr para o computador para ouvir novamente as canções compostas por Justin Hurwitz.

La La Land é a nova parceria do músico com o cineasta Damien Chazelle, que há dois anos despontou como um dos nomes mais promissores da nova geração em Whiplash – Em Busca da Perfeição. O drama sobre a relação de um jovem e obcecado baterista de jazz e seu abusivo tutor rendeu o Oscar de coadjuvante a J.K. Simons e inúmeros prêmios pelo mundo. Simons faz uma participação divertida em La La Land, mas o diretor e roteirista troca os acordes nervosos do jazz por canções suaves, alegres e românticas, que embalam os nostálgicos números de dança protagonizados por Ryan Gosling e Emma Stone pelas ruas de Los Angeles.

Sim, ela mesma, a Cidade dos Sonhos. E não poderia ser diferente se a ideia é contar a história de dois sonhadores. Mia (Emma Stone) é uma aspirante a atriz que tem levado tantos “não” em testes que começa a questionar seu talento. Já Sebastian (Ryan Gosling) é um pianista de jazz purista que não se conforma com o desinteresse do público pelo gênero e almeja abrir o próprio clube. Los Angeles, com suas autoestradas congestionadas, sol escaldante e curvas sinuosas que circundam montes e invadem vales, é o palco do encontro dessas duas almas inquietas.

Damien Chazelle filmou em Cinemascope, o formato widescreen usado em superproduções dos anos 50 e 60, e preenche a tela alargada com luz e cores vibrantes. Mas, se o visual remete aos clássicos musicais dos anos dourados de Hollywood, a batalha por um lugar ao sol enfrentada por Mia e Sebastian acontece no presente. É com um pé no século 20 e outro no século 21 que Chazelle pretende conquistar o público. Porque a crítica já se curvou, e pode ter certeza de que, ao contrário de tantos musicais da Broadway que foram adaptados em Hollywood, La La Land, que nasceu para o cinema, vai migrar para os palcos.

Depois de vencer nas sete categorias a que concorria no Globo de Ouro (melhor filme, direção, roteiro, trilha sonora, música, ator e atriz), a produção entra como favorita na disputa ao Oscar. Emma Stone e Ryan Gosling dão liga desde Amor a Toda Prova e dava para falar horas sobre as qualidades desse filme que vai te fazer cantar, rir e chorar. Mas Chazelle não realizou uma sessão da tarde. La La Land é sobre os sonhos e como eles podem unir e separar as pessoas.

Cotação: ****1/2

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