CRÍTICAS ESTREIAS

Professor Marston e as Mulheres-Maravilhas: A origem picante da heroína

Professor Marston e as Mulheres-Maravilhas é uma obra de ficção. Dito isso, as revelações que a diretora e roteirista Angela Robinson faz aqui são inesperadas. Fã fanática da Mulher-Maravilha, ela lia um livro sobre a personagem dos quadrinhos quando se deparou com o capítulo sobre seu criador, William Moulton Marston, e as duas mulheres que o inspiraram: a esposa, Elizabeth, e a aluna com quem viveu em sistema de poligamia, Olive Charles Byrne.

O filme mostra como a relação a três está espelhada nas páginas do quadrinho, lançado em 1941. Não dá para avaliar o alcance da imaginação da cineasta, que se fundamentou em pesquisas, porém não entrou em contato com a família Marston. O que não se discute é que o teor sexual – com cordas, torturas, submissão, sadismo e homossexualidade – está no papel, principalmente nos primeiros números. William assinava com o pseudônimo Charles Moulton, que, repare, é uma combinação do nome do meio de Olive com seu sobrenome.

Marston (interpretado por Luke Evans) era piscólogo, professor e foi o inventor de um detector de mentira que serviu de base para o polígrafo moderno (precursor da corda mágica da Mulher-Maravilha, que extrai a verdade dos enlaçados). Tinha uma união feliz com Elizabeth (Rebecca Hall), que no filme divide com o marido o interesse por Olive (Bella Heathcote), a jovem estudante contratada como assistente do casal.

Essa é essencialmente a história de um amor fora dos parâmetros. Marston se deixava fascinar pelas personalidades opostas de Elizabeth e Olive, achava que a junção da firmeza e autoridade da primeira com a doçura e fragilidade da segunda resultava na mulher ideal: sua Mulher-Maravilha, e à ela deu vida nos quadrinhos.

Esse ménage à trois rende cenas bem apimentadas que devem animar a plateia (e subir a censura). Não é essa a maior ousadia, porém. Na puritana América da década de 40, Marston andava contra a corrente. Endeusava a figura feminina, estimulava seu empoderamento e se curvava sem cerimônia aos desejos de suas musas. Ele sim era um homem audacioso – ontem e hoje.

 

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