CRÍTICAS ESTREIAS

Projeto Flórida: Ser criança

O diretor Sean Baker tem certa preferência pelos marginalizados. Em Tangerine, seu filme anterior, acompanhava uma prostituta transgênero. Em Projeto Flórida, são as pessoas sem casa que moram em quartos de motel perto do mundo mágico de Disney World, na Flórida, uma situação real. É assim que vivem a pequena Moonee (Brooklynn Prince) e sua mãe Halley (Bria Vinaite), quase uma adolescente, sempre raivosa e malcriada.

Mas Baker não quer fazer um tratado sobre a pobreza. Projeto Flórida é mais um retrato da infância. Moonee é levada da breca, derrubando sorvete e jogando coisas no carro da vizinha. Seus companheiros de aventuras são Scooty (Christopher Rivera) e Jancey (Valeria Cotto). O gerente do motel roxo, chamado Reino Mágico como o parque da Disney, é o paciente Bobby (Willem Dafoe).

Projeto Flórida é menos uma trama e mais uma experiência, mostrando que infância é infância mesmo sob circunstâncias difíceis. Belamente filmado, apesar de sua natureza quase documental, convida o espectador a acompanhar aqueles personagens e o desafia a amá-los, mesmo quando eles são desagradáveis, o que não é raro. Para isso, conta com um elenco afinado, com destaque para Dafoe, indicado ao Oscar de coadjuvante, e principalmente Brooklynn Prince, de 7 anos, a maior injustiçada da temporada de premiações deste ano.

 

 

 

 

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