CRÍTICAS ESTREIAS

Real – O Plano Por Trás da História: A origem da moeda nacional

São incontáveis os filmes e documentários sobre o período da ditadura militar no Brasil. Real – O Plano Por Trás da História chega como um espécime raro entre os retratos da trajetória brasileira. Demorou para o cinema avançar no tempo e olhar para o nosso passado mais recente, e democrático. O tema renderia um bom documentário, mas com certeza vai alcançar público maior como ficção.

Inspirado no livro 3.000 Dias no Bunker – Um Plano na Cabeça e um País na Mão, de Guilherme Fiuza, e dirigido por Rodrigo Bittencourt (Totalmente Inocentes), o filme reúne grande elenco para mostrar os bastidores da criação do Plano Real.

Para desviar da aridez do tema, o roteiro cria um arco dramático ao focar no economista Gustavo Franco (Emílio Orciollo Netto), um enfant terrible, genioso e genial, que comandou a força-tarefa montada para salvar a economia do País durante os governos de Itamar Franco (Bemvindo Sequeira) e Fernando Henrique Cardoso (Norival Rizzo).

Ao lado de outros seis economistas, protegidos em uma espécie de Bunker, ele mergulha no mundo da matemática atrás de uma solução. O enredo abre em 1993, com a inflação batendo 40% ao mês, além da crise de abastecimento e demissões em massa. Ou seja, o caos. Há tensão no ar e o jogo de poder e ego nos corredores do planalto movimentam a narrativa.

O economês não incomoda, embora alguns diálogos soem artificiais e didáticos. Paolla Oliveira faz o respiro romântico como a namorada de Franco, com quem tem uma relação turbulenta. Não é um filme perfeito, mas vem em boa hora e rende discussões acaloradas.

Cotação: ***

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