CRÍTICAS ESTREIAS

Rogério Duarte merecia um documentário mais libertário

Rogério Duarte foi uma figura bem atuante no movimento artístico brasileiro Tropicália, apesar de ser um nome pouco conhecido perante o grande público. Ilustrador e designer, trabalhou ao lado do cineasta Glauber Rocha e foi responsável pelo icônico cartaz de Deus e o Diabo na Terra do Sol (1968), entre outras colaborações. O artista baiano também atuou em outras áreas, com uma respeitada carreira com músico.

O documentário Rogério Duarte, o Tropikaoslista dá conta de abordar a complexidade desse ser criativo. O filme consegue aglutinar a visão artística de seu protagonista, além de suas inserções no campo político, seja como ativista ou como servidor no setor público. Some a isso algumas pitadas da vida pessoal de Duarte e tem-se um retrato amplo do homem, apenas no campo formal infelizmente.

Para abarcar todos seus subtemas, o documentário lança mão da mais careta das estruturas narrativas. Entrevistas com o protagonista e depoimentos de colaboradores famosos contam a jornada de Rogério, enquanto imagens de arquivo recheiam e ilustram com acontecimentos históricos em registro oficiais ou cenas de filmes. A fórmula óbvia não condiz com a exuberância do artista, um homem que deixou sua marca na cultura brasileira, teve uma jornada conturbada e enveredou por um estilo de vida oposto em sua maturidade, quando adotou o vegetarianismo e abandonou o álcool e as drogas. Rogério Duarte, o Tropikaoslista pedia por mais ousadia e podia tomar mais liberdades estéticas.

Para completar, a captação de som dos depoimentos é deficiente. Em alguns trechos, a mera compreensão das falas é desafiadora. O desfalque sonoro fica mais evidente quando se compara o material captado com o áudio das imagens de arquivo. Um tipo de erro primário em documentário de entrevistas, quando se tem maior controle das gravações e é possível um apuro sonoro mais exigente.

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