CRÍTICAS ESTREIAS

A Rota Selvagem: Lição de resiliência

Parece ser um encontro de almas esta reunião do diretor Andrew Haigh e do jovem ator Charlie Plummer. O cineasta é o mesmo que se debruçou sobre o entardecer de um casamento duradouro em 45 Anos, que colocou a veterana Charlotte Rampling entre as indicadas ao Oscar de melhor atriz em 2016.

Já Charlie Plummer (que nada tem de parentesco com Christopher Plummer) fez o adolescente em cativeiro no drama de Ridley Scott Todo o Dinheiro do Mundo, sobre o rapto do neto do magnata do petróleo Jean Paul Getty.

Então de um lado há um diretor interessado no ser humano em situações complicadas, de outro um novato que se mostrou capaz de externar o medo, a fragilidade, mas também a coragem e a ousadia. E a jornada que eles realizam em A Rota Selvagem nada mais é que a fusão desses talentos em uma trama que tinha tudo para ser um dramalhão lacrimoso. Em vez disso, é uma emocionante aula de resiliência.

Baseado no romance de Willy Vlautin, o filme segue os passos do jovem Charley, que mora com o pai, Ray (Travis Fimmel), em Portland. Como a falta de grana é constante, ele arranja um trabalho na pista de corrida local, cuidando dos cavalos do apostador vivido por Steve Buscemi. Ali, se apega a um dos animais, chamado Lean On Pete (título original do filme).

Pois o cavalo torna-se o companheiro do protagonista depois que uma série de eventos traumáticos o coloca na estrada em busca de uma tia que há muito tempo não vê. O cineasta banha essa odisseia de humanidade e lirismo. As provações são absurdas, mas Charley tem impressionante retidão de caráter.

Premiado como ator revelação no Festival de Veneza, Charlie Plummer entrega uma atuação magnética. Não dá para tirar os olhos desse poço de coragem.

 

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