CRÍTICAS ESTREIAS

Sem Amor: Egoísmo avassalador

O cineasta russo Andrey Zvyagintsev já está acostumado a transitar entre os mais importantes festivais e premiações de cinema do mundo. Em Cannes, por exemplo, exibiu quatro filmes, entre eles o aclamado Leviatã.

Com Sem Amor, seu mais recente trabalho, que ficou conhecido por Loveless, título internacional, o caminho não foi diferente. Saiu do festival francês com o Prêmio do Júri e conseguiu uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

Na história, Zhenya e Boris estão passando por um divórcio marcado por ressentimento e frustração. Já com novos parceiros, eles estão ansiosos para recomeçar suas vidas, mesmo que isso signifique a possibilidade de deixar Alyosha, seu filho de 12 anos, em segundo plano. Até que, depois de testemunhar uma briga entre os pais, o garoto desaparece.

Com uma narrativa inquieta, Zvyagintsev retrata essa fria relação familiar com um silêncio perturbador que intimida o espectador. Ainda que a busca pelo filho seja o destaque da trama, o diretor consegue inserir como pano de fundo a situação atual da Rússia e também as consequências irreparáveis de uma sociedade egocêntrica e tecnológica que toma conta dos indivíduos.

Sem Amor expõe o vazio que habita em seus protagonistas e coloca a frieza em primeiro plano, num ambiente nada acolhedor, seja nas atitudes, nos diálogos ou até mesmo na fotografia. Vale a reflexão!

 

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