CRÍTICAS ESTREIAS

Sequestro Relâmpago: Perdidos na noite

Tata Amaral é diretora engajada. Filmes como Antônia, Trago Comigo e Hoje fazem recortes sociais e históricos – das minorias às vítimas da ditadura. Em Sequestro Relâmpago ela se inspira em um caso real para retratar uma modalidade de assalto muito comum nas grandes cidades brasileiras.

Marina Ruy Barbosa interpreta Isabel, vítima dos inexperientes Japonês e Matheus, vividos por Daniel Rocha e Sidney Santiago Kuanza. Como a retirada do dinheiro no caixa rápido não funciona de primeira, os três rodam pelas ruas de São Paulo e são obrigados a conviver durante uma noite inteira.

Foto: Carlos Zalasik

A câmera de Tata segue junto, observa o desdobrar dessa relação. De um lado a vítima, que ora dá uma de amiguinha dos criminosos, ora se mete em tentativas frustradas de fuga, ou então tenta comandar a ação ao colocar fogo na já forte animosidade entre seus algozes. Na outra ponta estão os jovens sequestradores de personalidades e métodos opostos.

A tensão existe, mas há um artificialismo nesse arranjo, além de sequências duras de engolir – o diálogo com o guarda do shopping e o jogo de sinuca na segunda etapa exigem esforço extra do espectador. Tata explora o abismo social em diálogos óbvios, embora guarde uma pequena reviravolta acerca da patricinha Isabel.

Ainda assim, a cineasta descuidou do essencial. Não humanizou seus personagens. Eles são só mais três na multidão.

 

 

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