CRÍTICAS ESTREIAS

Severina: Romance livresco

Felipe Hirsch (Insolação, a série A Menina Sem Qualidades), um dos fundadores da premiada companhia de teatro experimental Ultralíricos, mergulhou na cultura, realidade e literatura latino-americanas, fonte primordial deste seu segundo longa-metragem, em que assina o roteiro e a direção.

Inspirado em um conto do escritor guatemalteco Rodrigo Rey Rosa, rodado no Uruguai com elenco hispânico de primeira grandeza e trilha original marcante de Arthur de Faria, Severina conta a história de R (Javier Drolas, de Medianeiras), livreiro independente que mora no andar de cima de sua charmosa loja de esquina, de bairro, à moda antiga, em que recebe outros aficionados, como ele, para ler e conversar sobre livros.

A pacata vida literária de R se transforma quando ele se interessa por uma misteriosa jovem (Carla Quevedo) que lhe rouba livros constantemente. O amálgama de paixão, curiosidade e encantamento que alimenta o delírio romântico fugidio de R espelha o olhar de Hirsch – e de sua câmera e suas palavras – não apenas para seus personagens, mas no grande plano aberto da vida e seus labirintos.

Dividido em capítulos (claro!), com ritmo próprio, locações perfeitas, de uma beleza contemplativa e lírica, Severina traz no prólogo uma citação sobre amor e perdão, que no epílogo se saberá por quê. Ou não.

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