CRÍTICAS ESTREIAS

Somente o Mar Sabe: Fake news do passado

À primeira vista, Somente o Mar Sabe é a história real de Donald Crowhurst, que em 1968 decidiu entrar em uma competição de volta ao mundo em um barco, sozinho e sem paradas. Casado e pai de quatro filhos, o inglês de 36 anos era marinheiro amador, nunca tinha saído da Inglaterra e muito menos realizado uma travessia oceânica.

Seu espírito de inventor, porém, já o tinha levado a feiras do ramo com o “Navicator”, um dispositivo que permitia usar sinais de rádio para facilitar a navegação marítima. Mesmo completamente despreparado, Crowhurst construiu seu supostamente revolucionário trimarã com o investimento de uma empresa de trailers e caravanas, mas não sem antes deixar a casa como garantia de retorno. Terminada a travessia dos seis continentes, o barco seria produzido para venda.

Outro aliado na empreitada foi Rodney Hallworth, um jornalista que se tornou seu agente e o ajudou a achar patrocinadores, para, em troca, lucrar como porta-voz do relato do aventureiro durante a viagem. Esse é o centro nervoso da narrativa bem conduzida pelo diretor James Marsh, vencedor do Oscar pelo documentário O Equilibrista e pelo drama A Teoria de Tudo, cinebiografia de Stephen Hawking que deu a estatueta dourada de melhor ator a Eddie Redmayne.

Colin Firth e Rachel Weisz interpretam Crowhurst e a esposa, Claire, enquanto David Thewlis faz o jornalista. Não é difícil imaginar que o navegador vai passar por apuros inimagináveis em mar aberto, mas o que ecoa em nosso tempo é a manipulação da informação, as fake news que estão no centro do debate hoje.

Vale assistir para ver até onde o interesse de cada um se opôs a verdade e o alto preço cobrado por invencionices de diversas partes.

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