CRÍTICAS ESTREIAS

Sueño Florianópolis: Humor bem dosado em saboroso portunhol

Pedro (Gustavo Garzón) e Lucrécia (Mercedes Morán) são argentinos de Buenos Aires, e estão na estrada com o casal de filhos adolescentes. O destino – um dos preferidos dos hermanos – é Florianópolis, a 1750 km. Falta pouco, mas a gasolina do Renault 12 acaba.

Enquanto o pai pega uma carona até o posto mais próximo, mãe e filhos são socorridos por Marco (Marco Ricca) e Larissa (Andrea Beltrão), que estavam de passagem pela estrada e têm um galão de combustível no carro. Marco conta que costuma alugar casas para a temporada e deixa seu telefone com Lucrécia.

A partir desse encontro fortuito e de outros eventos inesperados, essas duas famílias vão conviver durante o verão de 1992. Coprodução entre Brasil, Argentina e França, Sueño Florianópolis é um legítimo filme em portunhol e isso faz parte de seu charme.

A diretora argentina Ana Katz não tem pressa em revelar os pormenores desses personagens, cujas relações são muito mais idiossincráticas e complexas do que parecem.

Embora não explore enfaticamente a precariedade tecnológica daqueles já longínquos anos 90, direção de arte e figurinos recriam uma época mais pessoal e menos virtual. É o contato humano que está em pauta aqui, então pode esperar algumas conchas nessa areia macia.

Marco Ricca é a grande atração como um sujeito praiano e conquistador, que passa o dia de sunga e leva a vida (supostamente) numa boa. Mas quem ganhou prêmio pela atuação foi a também ótima Mercedes Morán, no Karlovy Vary International Film Festival. O elenco é diferenciado.

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