CRÍTICAS ESTREIAS

Tamara: Este corpo não me pertence

Neste ano, Uma Mulher Fantástica deu ao Chile o Oscar de melhor filme estrangeiro. O diretor Sebastián Lelio e a transexual Daniela Vega colheram prêmios mundo afora com a história da cantora trans que perde o namorado para um aneurisma, e enfrenta do preconceito à suspeita de crime na luta para ser reconhecida como sua companheira.

A Venezuela tenta emplacar Tamara no Oscar 2019, mas talvez a semelhança temática prejudique as chances da diretora Elia Schneider. Pena. O filme é inspirado na vida de Tamara Adrián, nascida Teo Almanza, que em 2015 se tornou a primeira deputada transexual de seu país.

O caso de Tamara é ainda mais complexo que o da protagonista da produção chilena, porque Teo não se encontrava no corpo masculino, embora se relacionasse amorosamente com mulheres. A trama o acompanha desde o retorno de Paris, onde estudava Direito e já se vestia de mulher – ao que tudo indica, sem maiores problemas.

Na Venezuela, porém, o salto alto barrou qualquer tentativa de arrumar emprego. Teo abdicou de sua feminilidade, adotou o terno e gravata, tornou-se um advogado bem-sucedido, casado e pai de dois filhos. Até que viver na mentira alcançou o prazo de validade.

A transformação em Tamara é uma odisseia que abrange o rompimento familiar, os riscos da cirurgia de mudança de sexo, os trâmites burocráticos, o desafio profissional e o confronto com a namorada, que até então o aceitava como um homem que usava roupas femininas.

É um drama e tanto, carregado com coragem por Luis Fernández em uma interpretação sem apelos caricatos. Tamara emociona primeiro pela dor da abdicação pessoal, e depois pela determinação na luta pelo direito de sincronizar espírito e físico. Uma batalha digna de cinema.

 

 

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