CRÍTICAS ESTREIAS

Tarzan joga na retranca para garantir resultado… e só

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Há muito tempo que a maioria esmagadora das bilheterias de Hollywood vem de adaptações, sequências e spin-offs. A Lenda de Tarzan é mais um para engrossar o coro, e não sai da linha em sua proposta de releitura do que acontece com o Rei da Selva depois que retoma sua herança na Inglaterra.

Agora Tarzan (Alexander Skarsgård, de True Blood) atende por John Clayton, um lorde inglês. Ele continua casado com Jane (Margot Robbie, de Golpe Duplo) e parece levar uma vida civilizada na metrópole europeia. Em pequenos detalhes, como quando ele consome ovos crus, o espectador percebe que ainda há um lado selvagem latente no herói.

Essa faceta será testada quando John recebe um convite vindo de Rei Leopoldo, um chamado para retornar à África para ver as benfeitorias executadas pelo monarca belga. O estadunidense George Williams (Samuel L. Jackson, de Os Oito Odiados) suspeita que a região ainda abriga trabalho escravo, o que serve como motivação para o protagonista seguir viagem. Assim, embarcam juntos para o Congo.

O tal convite é na verdade uma forma de trocar Tarzan por diamantes junto a um inimigo antigo dele (Djimon Hounsou, de Exorcistas do Vaticano). O plano foi arquitetado por Leon Rom, enviado belga à África, mais um papel de vilão de Chistoph Waltz (007 contra Spectre), algo que tem se tornado uma repetitiva especialidade do ator austríaco.

O autor Edgar Rice Burroughs escreveu outras aventuras de Tarzan, sobre o que acontece depois de seu contato com outros homens brancos. O filme traz elementos dessas histórias, mas se trata de um enredo novo, que não releva o legado do personagem. É nesse ponto que a produção acerta para garantir a satisfação dos fãs, mesmo sem ousadias maiores no corte final.

O diretor David Yates (Harry Potter e as Relíquias da Morte) até gravou cenas com elementos novos e desafiadores para a tradição do universo narrativo, como cena de sexo selvagem entre o casal de protagonistas e um beijo gay, mas as passagens não sobreviveram às sessões-teste com espectadores. A Lenda de Tarzan poderia arriscar mais e conseguir trazer novidades mais concretas, mas medrou. Quando esse passo de coragem é dado, tem de se aturar alguns discursos raivosos, mas que funcionam apenas como mais publicidade – basta ver como as tentativas de boicotes machistas não afetaram negativamente a recepção de Mad Max: Estrada da Fúria (2015), por exemplo.

Assim, o filme faz tudo rigorosamente certo, o que não ofende mas também não chega a ser memorável. Em tempos de medidas desesperadas para se criar novas franquias cinematográficas, esse longa se contenta com um arroz-com-feijão sem grandes malabarismos. Funciona, mas não brilha.

Cotação: ***

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