CRÍTICAS ESTREIAS

Terra Selvagem: Tensão de sobra, e personagens com alma

Neste ano, A Qualquer Custo, de David Mackenzie, foi a produção independente em destaque no Oscar, com quatro indicações, entre elas melhor filme. Jeff Bridges vive o delegado que azucrina seu colega descendente de índios (Gil Birminghan), enquanto a dupla investiga assaltos a banco no Texas, praticados por dois irmãos (Ben Foster e Chris Pine). É um filmaço e o roteirista, Taylor Sheridan (Sicario: Terra de Ninguém), também indicado ao Oscar, agora assume a batuta. Terra Selvagem venceu o prêmio de melhor direção da Mostra Um Certo Olhar em Cannes 2017 e não estranhe se essa produção despretensiosa despontar na próxima temporada de prêmios.

Elizabeth Olsen e Graham Greene

Os “Vingadores” Jeremy Renner e Elizabeth Olsen unem forças para enfrentar vilões sem superpoderes nesse thriller dramático ambientado na remota e gélida região do Wyoming. Renner vive um caçador de coites e predadores de rebanhos traumatizado pela morte da filha. É ele quem encontra o corpo de uma amiga dela na neve, com sinais de estupro. O local faz parte de uma reserva indígena e, sim, Taylor Sheridan volta a trabalhar com personagens nativo americanos e toca em uma ferida esquecida pelo cinema hollywoodiano recente: o legado de descaso e preconceito em relação ao povo indígena.

A investigação tem no comando a novata agente do FBI interpretada por Elizabeth, e o fato de ser destacada para aquele fim de mundo congelante – em vez de um colega experiente – é mais uma estocada do diretor. Pois o caso toma forma, a tensão cresce e há um confronto de tirar o fôlego entre polícia e suspeitos. Graham Greene (Dança Com Lobos), nativo da Reserva Six Nations, no Canadá, e Gil Birmingham, de raiz comanche, têm papeis fundamentais.

Jeremy Renner e Gil Birmingham

Assim como em A Qualquer Custo, a trama policial – que funciona muito bem – é apenas o terreno  sobre o qual o cineasta se debruça sobre seus personagens. Há alma em cada um deles. A dor do luto é palpável, a revolta contagia, a depressão comove e o afeto dá esperança.  Como é bom esse Taylor Sheridan.

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