CRÍTICAS ESTREIAS

The Square – A Arte da Discórdia: Entre a arte e o oportunismo

As indicações para a 90ª edição do Oscar serão anunciadas somente em 23 de janeiro, mas pode apostar que a Suécia tem vaga garantida entre os finalistas com The Square, que significa o quadrado, mas estreia aqui com o título original mesmo, porque é também o nome da obra de arte que movimenta a história.

Robert Östlund é um provocador. Seu filme anterior, Força Maior, é um olhar sarcástico sobre o instinto masculino, através de um pai que salva a si mesmo em uma avalanche de neve, enquanto esposa e filhos ficam por conta própria. Ganhou uma penca de prêmios, entre eles o do Júri da Mostra Um Certo Olhar em Cannes 2014. The Square arrematou nada menos que a Palma de Ouro em Cannes este ano.

O humor ácido e a sensação de urgência estão ainda mais incisivos, assim como os acordes nervosos da trilha composta por Ola Fløttum e a fotografia luxuosa de Fredrick Wenzel – ambos em nova parceria com o cineasta. Também autor do roteiro, Östlund agora circula no universo das artes plásticas e bota lenha na fogueira ao examinar a tênue linha entre a arte e o oportunismo. Mas não é só.

O protagonista, Christian, é o respeitado curador do museu de arte contemporânea de Estocolmo. A próxima exposição, a instalação The Square, tem uma mensagem clara: saia do seu quadradinho, deixe de ser individualista e estenda a mão ao próximo. Sim, porque a Suécia que se vê na tela não é o ápice do primeiro mundo. As ruas estão apinhadas de pedintes.

Östlund escancara essa realidade em um filme-conceito, com enquadramentos e posicionamentos de câmera virtualmente quadrados (repare na cena da escadaria). A trama, porém, subverte a ordem com uma narrativa circular, em que uma ponta se une a outra, na medida em que um pedido de socorro (que se fará ouvir outras vezes) deflagra uma série de eventos absurdos que colocam Christian em profundo dilema moral – ora em confronto, ora em comunhão com o ideal altruísta da obra de arte que está a promover.

Pode parecer óbvio, mas o cineasta desconcerta e incomoda o espectador até ele se dar conta do quadrado em que está pisando.

 

 

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