CRÍTICAS ESTREIAS

Tinta Bruta: Por conta própria

A lista de mais de 45 festivais internacionais nos quais participou e o número de prêmios que ganhou impressionam – entre eles o Teddy Awards em Berlim e os principais troféus do Festival do Rio. Tinta Bruta integra o catálogo da Sessão Vitrine Petrobrás e é o segundo longa de ficção da dupla de cineastas e roteiristas gaúchos Filipe Matzembacher e Marcio Reolon (Beira-Mar).

Porto Alegre é o cenário desse drama juvenil que aborda temas atemporais e universais como abandono, solidão, raiva, bullying, amizade e preconceito, mas o filme é um papo reto com o público LGBTQ.  O protagonista, Pedro (Shico Menegat), tem problemas de sobra: órfão de mãe, abandonado pelo pai, réu em um processo criminal, expulso da faculdade e prestes a perder o apoio da irmã, que vai se mudar para a Bahia.

Como se não bastasse, Pedro carrega consigo a dor de ser marginalizado em uma sociedade ainda intolerante aos homossexuais. A tinta do título ele espalha pelo corpo e, sob o codinome GarotoNeon, realiza as performances eróticas online que lhe tem servido (mais ou menos) como ganha pão. Ao descobrir que outro rapaz (Bruno Fernandes) da cidade está copiando sua técnica, Pedro vai atrás do concorrente.

É imediata a empatia que ele provoca no espectador. Seu drama é genuíno, urgente e sem fáceis soluções. É um personagem forte e bem desenvolvido. Tinta Bruta se ressente, porém, de um roteiro prolixo. Uma edição menos cerimoniosa tornaria a jornada mais agradável.

 

 

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