CRÍTICAS ESTREIAS

Todo Dinheiro do Mundo: Ator substituído e emoção contida

Eram 3 horas da madrugada de 10 de julho de 1973, quando o adolescente de 16 anos foi sequestrado na Piazza Farnese, em Roma. John Paul Getty III era um dos netos do magnata do petróleo J. Paul Getty, na época o homem mais rico do mundo. Só que o vovô “Tio Patinhas” se recusou a pagar o resgate de US$ 17 milhões. Esse é um dos focos de Todo o Dinheiro do Mundo, o novo filme de Ridley Scott.

O outro ponto é a controversa substituição de Kevin Spacey por Christopher Plummer quando as filmagens estava praticamente terminadas. No meio do terremoto das acusações de assédio sexual contra o astro de House of Cards, o cineasta achou mais seguro refilmar todas as cenas do magnata a arriscar ter seu filme boicotado por público e mídia. Assim foi feito e a indicação ao Oscar de Plummer como coadjuvante é prova de que Ridley Scott estava certo, pois o ator era sua escolha original.

O filme é bom, mas não ótimo. Há uma frieza incômoda, que mantém o público distanciado a ponto de não criar empatia e nem se deixar cativar pelos personagens. Michelle Williams, que interpreta Gail, a mãe do rapaz, é excelente atriz dramática, mas Scoot parece puxar o freio nas cenas mais densas, talvez para evitar o melodrama. Só que a emoção dessa mãe é comedida demais para a gravidade da situação.

Mark Wahlberg faz a sua parte como um ex-agente da CIA enviado pelo vovô mesquinho para ajudar Gail nas investigações. Um dos acertos do roteiro é não forçar a barra e forjar um romance entre eles. No cativeiro em uma região montanhosa, Getty III (vivido por Charlie Plummer, sem parentesco com o veterano) tem o apoio de um dos criminosos, de codinome Cinquanta (Romain Duris), e esse é o personagem mais autêntico da história.

Scott conduz seu filme sem grande inspiração. Não dá para colocar Todo o Dinheiro do Mundo no patamar de Blade Runner, Caçador de Androides, Gladiador ou Alien, O Oitavo Passageiro. Há uma sequência impressionante, que mudou os rumos do sequestro, mas o único momento realmente catártico – e que deve ser lembrado no Oscar -, tem Plummer no melhor estilo Cidadão Kane, com Getty transtornado pela dor.

Agora resta a curiosidade (e as poucas fotos liberadas pela imprensa antes do escândalo): como se sairia Kevin Spacey na pele do milionário?

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