CRÍTICAS ESTREIAS

Todos os Paulos do Mundo: Registro e homenagem

Ao lado de uma carreira impressionante, outro aspecto forte no imaginário coletivo acerca de Paulo José é sua luta contra o mal de Parkinson. Por causa das consequências da doença na voz, ele enfrenta grandes dificuldade na comunicação verbal, apesar de estar totalmente lúcido.

Por essa razão, o documentário Todos os Paulos do Mundo teria problemas enormes se quisesse colher depoimentos de seu protagonista. A solução veio por uma saída inteligente que ao mesmo tempo funciona como homenagem de seus pares: atores de renome leem textos escritos por Paulo como parte da narração do documentário. Nomes do calibre de Fernanda Montenegro e Milton Gonçalves emprestam suas vozes.

Paulo José e Fernanda Montenegro

O filme é praticamente todo feito com imagens de arquivo, trabalhos que mostram a versatilidade de Paulo José. Cenas de filmes distantes em estéticas e cronologia convivem lado a lado em conversas cinematográficas mediadas pela edição. Fórmula semelhante foi utilizada recentemente em outro documentário recente sobre a sétima arte tupiniquim: Cinema Novo (2016).

A diferença entre os dois títulos é que o documentário de Eryk Rocha é uma obra para iniciados. Quem não está familiarizado com a cinematografia brasileira dos meados do século 20 receberá o filme como uma afetação vazia. Todos os Paulos do Mundo tem mais conteúdo próprio, ao contar de forma cronológica a vida de Paulo José. Assim, temos uma peça tão artística quanto informativa, com objetivos mais amplos.

Com Paulo em cena e em texto, o documentário conta 100% com a presença de seu protagonista, sem coadjuvantes, uma vez que até a voz dos outros só servem para entregar seu próprio discurso. O que surge como necessidade vira linguagem, como se as ideias e o trabalho de Paulo ecoassem através de seus colegas.

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