CRÍTICAS ESTREIAS

Tour de France: Unidos pela arte

O road movie de Rachid Djaïdani, jovem cineasta selecionado duas vezes para a prestigiada Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes e indicado ao prêmio César, mais que uma jornada por belas paisagens do litoral da França, é uma viagem pela alma francesa. Em grande parte, pela acuidade e sensibilidade do roteiro ao reunir os dois protagonistas em torno da obra do pintor francês do século 18, Claude Joseph Vernet, especialista em portos e cais.

Gérard Depardieu é Serge, um velho operário truculento, e o estreante Sadek é o rapper Far’Hook, de origem muçulmana. Suas visões do mundo são (quase) irreconciliáveis. O que os aproxima é a arte – mais do que a pintura e a música – e o sentimento de serem párias num país atribulado entre o passado e o futuro.

É sobre esse fosso que o talentoso Djaïdani constrói uma ponte ora com diálogos certeiros, ora com improviso, ora com sua própria câmera, ora com as imagens filmadas pelo celular de Far’Hook durante a viagem. O resultado é um libelo atual, multifacetado e universal sobre a tolerância.

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