CRÍTICAS ESTREIAS

A Última Lição: A escolha de morrer

Mireille Jospin, mãe do ex-primeiro ministro francês Lionel Jospin e da filósofa Noëlle Châtelet, cometeu suicídio no dia 6 de dezembro de 2002, aos 92 anos. Obstetra aposentada, ela escolheu colocar fim à própria vida com a certeza de que logo se tornaria dependente dos outros. Decidiu morrer com dignidade. Três meses antes do Dia D, anunciou sua decisão à família.

O caso deu origem ao livro A Última Lição, em que Noëlle Châtelet narra os três últimos meses com sua mãe, e agora chega aos cinemas na livre adaptação de Pascale Pouzadoux. Marthe Villalonga interpreta a nonagenária Madeleine, que provoca um tumulto familiar quando oficializa o plano em sua festa de aniversário. Sandrine Bonnaire faz sua filha, Diane, que respeita a escolha da mãe e tenta manter o bom humor diante da situação.

O filme se pretende leve ao mostrar os preparativos minuciosos da senhora na arrumação de seus pertences, mas é duro vê-la tomar consciência da crescente perda da autonomia, como a capacidade de dirigir, de se levantar sozinha ou trocar de roupa. É triste, e real. Faz, sim, pensar se os pais não deveriam ter o direito de escolher se querem ou não trocar de papel com os filhos. Madeleine recebe carinho e cuidados, mas Diane tem polêmicas discussões com uma amiga que lhe aconselha a internar a mãe em um asilo.

A Última Lição é sensível, mas não dá para dizer agradável. Nesse sentido, o do entretenimento, o recente A Viagem de Meu Pai faz uma mescla mais equilibrada de drama e humor para falar da delicada relação entre filhos e pais idosos.

Cotação: ** 1/2

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