CRÍTICAS ESTREIAS

Últimos Dias em Havana: Sem afetação, com emoção

Quem acompanha esportes sabe que muitas vezes um lance simples é muito mais eficiente do que uma jogada complexa. É com sua estrutura simples que Últimos Dias em Havana conquista o público, com poucos personagens e um roteiro baseado em diálogos.

Diego (Jorge Martínez) está acamado e diz para Miguel (Patricio Wood, de Guerra do Tráfico) que espera que ele receba seu visto de entrada para os Estados Unidos. Para morrer só depois dessa conquista do amigo.

O problema é que seu parceiro de habitação parece ser a pessoa mais inapta para tentar a sorte fora da ilha. Lê livros em inglês toda madrugada, mas não consegue aprender o idioma, o que complica sua entrada de forma legal. Se apelar por outras maneiras de atravessar o mar, obstáculo é não saber nadar, por mais que pratique.

Ao redor da dupla circundam outros personagens, todos com suas frustrações pessoais. Entre eles, Diego parece ser o que melhor aceita sua situação, que é a mais trágica. Por isso mesmo, ele é a fonte da maior parte das piadas de Últimos Dias em Havana. Isso dá leveza para um enredo que poderia ser muito mais dispendioso emocionalmente.

A miríade de personagens dá conta de transparecer em suas mazelas pessoas trava sociais cubanas e latinas. É nesse ponto que o longa prova que simplicidade não é sinônimo de inocência. Por sua familiaridade latina, quase que uma versão moderna do romance clássico O Cortiço (1890), o brasileiro facilmente se encanta com o que se propõe: um panorama humano muito rico.

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