CRÍTICAS ESTREIAS

Uma Noite de 12 Anos: Resistência no calabouço

Representante do Uruguai no Oscar e no Goya, Uma Noite de 12 Anos resgata o período da ditadura pela prisão de três líderes do movimento guerrilheiro Tupamaros: Mauricio Rosencof (Chino Darín, filho de Ricardo Darín), Eleuterio Fernández Huidobro (Alfonso Tort) e José Mujica (Antonio de la Torre), que se tornaria o presidente do país de 2010 a 2015.

Detidos em 1973, eles foram tratados como reféns e até a libertação, em 1985, passaram por dezenas de prisões, verdadeiros calabouços onde viveram o inimaginável. É nesse ponto que o diretor e roteirista Álvaro Brechner descola seu filme do drama político para narrar uma história de sobrevivência.

É a dignidade colocada em cheque. A incomunicabilidade, os maus tratos, o isolamento… Há momentos de esperança nessa jornada escura, como as conversas ao som das batidas codificadas na parede, a amizade do escritor Rosencof com o carcereiro e a hilária (sim, há humor na visão do inferno) sequência em que um deles precisar fazer cocô e junta-se um grupo de soldados para decidir como lidar com a algema que o impede de alcançar o vaso.

Não é a ideologia que está em foco. Esquerda ou direita não importam, apesar do alerta pela democracia soar alto. A vida, ela sim é  protagonista. O instinto de sobrevivência grita, berra e faz esses homens encontrarem forças em lugares inesperados. O público segue-os de perto, de coração apertado, mas com o alento de saber que eles sobreviveram à barbárie.

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