CRÍTICAS ESTREIAS

Una: amor ou pedofilia?

Há duas visões possíveis para o evento crucial de Una e essa bipolaridade, e o debate que ela incita, é o que o torna perturbador e instigante. Baseado na peça Blackbird, escrita e adaptada por David Harrower, o filme mostra o embate entre Una (Rooney Mara) e Ray (Ben Mendelsohn), o homem com quem ela teve um romance na adolescência – ou o pedófilo que roubou sua inocência. Você decide.

Passados 15 anos, Una descobre o paradeiro de seu antigo vizinho e aparece sem aviso no trabalho dele. Ela quer conversar, em uma tentativa desesperada de entender o passado. É um confronto duro, emotivo de ambas as partes, que, sim, se confunde com uma história de amor proibido, mas há muito mais em questão.

O diretor estreante Benedict Andrews faz bom uso de espaços restritos, como salas e armazéns, para refletir o confinamento psicológico dos personagens. Flashbacks trazem imagens reveladoras da natureza da relação que o Ray adulto teve com a Una adolescente. O que envolve, no entanto, sãos os diálogos. Corajosos, provocadores, às vezes bem-humorados, mas sempre tensos, ganham vozes poderosas na atuação da dupla central.

Riz Ahmed

Rooney Mara interpreta com facilidade a jovem torturada pelo sofrimento, como o fez em Carol e, melhor ainda, como a Lisbeth Salander de Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Mendelsohn é a maior surpresa, em um raro papel de protagonista. O vilão de Rogue One: Uma História Star Wars joga bem com a dualidade – tarado ou enamorado -, e não raras vezes cativa o espectador.

Também do elenco de Star Wars, Riz Ahmed interpreta um colega de trabalho de Ray, e quem vai de certa forma intermediar o confronto. Os desdobramentos são graves, alguns previsíveis, mas, goste ou não do desfecho, e mesmo diante das inevitáveis ponderações morais, Una é cinema de qualidade.

Cotação: ***

 

 

 

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