CRÍTICAS ESTREIAS

Verão 1993: O delicado representante da Espanha no Oscar

A Espanha tenta uma vaga no Oscar com uma cineasta estreante em longas-metragens. E foi um início e tanto para Carla Simón, que surpreendeu na bilheteria e ganhou o troféu de melhor primeiro filme no Festival de Berlim, entre muitos outros prêmios.

Filmes estrelados por crianças causam comoção natural e este não é diferente, mas é notável como Carla segura o sentimentalismo com uma protagonista que tinha todas as razões do mundo para se lamuriar 24 horas por dia. Talvez porque a diretora se debruce sobre fatos que ela própria viveu quando tinha 6 anos de idade.

No filme seu nome é Frida, a garotinha que, no verão de 1993, fica órfã de mãe – o pai morrera quando era bebê. Ela vai morar com o tio, a esposa dele e Anna, a filha de 3 anos do casal. A palavra Aids não é mencionada e essa omissão só reforça o preconceito e o pavor que a doença provocava na época, mas a causa das mortes fica clara. A cineasta filmou na mesma região montanhosa onde viveu aquele momento de dor inimaginável.

A dificuldade de Frida verbalizar o luto e o ciúme que sente de Anna cria situações até de perigo, e Carla não é condescendente com certas maldades que a protagonista. Mais que um rito de passagem, Verão 1993 é uma jornada de sobrevivência dessa pequena que não tem outra escolha a não ser se adaptar.

O amparo na religião, estimulado pela avó que lhe ensina a rezar, e as brincadeiras corriqueiras com a prima rendem sequências singelas, embora sempre realistas. Não há subterfúgios fantasiosos e essa lucidez é um dos grandes trunfos da cineasta.

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