CRÍTICAS ESTREIAS

Vidas Partidas: O conhecido paralelismo entre sexo e violência

A aproximação da força do desejo sexual com violência física é uma temática recorrente, como mostra o sucesso de Cinquenta Tons de Cinza (2015). Mesmo assim, é preciso deixar de lado os fetiches na hora de discutir um assunto sério: violência doméstica. É com esse paralelismo bem explorado que Vidas Partidas consegue apresentar uma história de amor e violência.

Graça (Naura Schneider, de Dias e Noites) e Raul (Domingos Montagner, de De Onde Eu Te Vejo) são casados e vivem na Recife dos anos 1980, numa época em que todos da cidade falavam com sotaques carioca e paulista, já que boa parte do cinema brasileiro está pouco se lixando em como os personagens falam. Apesar desse desrespeito linguístico, o filme mostra que o relacionamento é um jogo de aparências, pois o que parece ser um amor flamejante, aos poucos toma ares de um relacionamento abusivo e violento.

Nessa passagem entre o desejo mais intenso para um controle obsessivo, a direção traz saídas inteligentes para traçar paralelos entre as intensidades do amor e do ciúme do marido. Nessa toada, temos quentes cenas de sexo no começo da projeção que são substituídas por atos de violência gradativa mais para o final. Com isso, o filme toma rumos trágicos, em uma dinâmica instigante para retratar com veemência seu tema.

Trata-se de um assunto polêmico, e Vidas Partidas não se propõe a ser unânime. Raul está longe de ser um exemplo de pai e marido, mas o personagem é humanizado no longa. Essa é mais uma ferramenta que trabalha em favor da autenticidade em um tópico muito importante. Pena que a verossimilhança não se segura exatamente por causa do descaso com os sotaques.

Cotação: ** ½

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