CRÍTICAS ESTREIAS

Vincent Lindon está magnético em O Valor de Um Homem

Indicado a Palma de Ouro em Cannes 2015 e ao César, O Valor de Um Homem não levou na categoria principal, mas rendeu a Vincent Lindon os troféus de melhor ator nas duas premiações. A parceria com o diretor Stéphane Brizé começou em 2009, com Mademoiselle Chambon, seguido por Uma Primavera com Minha Mãe (2012). Agora chega ao auge com esse drama realista e de cunho social, cuja crueza lembra muito o cinema dos irmãos Dardenne.

A primeira sequência, que traz o protagonista, Thierry, atrás de uma vaga de emprego, tem a mesma urgência do drama enfrentado pela personagem de Marion Cotillard em Dois Dias, Uma Noite (2014). Enquanto ela tenta revogar sua demissão, ele está atrás de uma colocação após 20 meses desempregado. A crise social e econômica europeia ganha cada vez mais espaço no cinema. Casado e pai de um jovem com necessidades especiais, Thierry enfrenta a situação com uma calma aflitiva. Faz uma entrevista humilhante por Skype, aceita calado o escrutínio dos colegas de um curso de recrutamento que só malham seu desempenho no treinamento, mas segue adiante frente a inúmeras negativas.

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O cineasta também se debruça sobre seu cotidiano familiar. Mostra os cuidados com o filho, a  aula de dança com a esposa, os afazeres domésticos. A vida continua, sem muitas alternativas, a não ser Thierry fazer a sua parte com afinco. Tem se aqui um homem de bem, guiado por sólidos valores morais, os quais serão postos em xeque quando ele finalmente consegue emprego na equipe de segurança de uma loja.

Pelos corredores ou através de câmeras de vigilância, ele observa consumidores e funcionários, atento a gestos estranhos. Quando um roubo é flagrado, Thierry integra o time que interroga o suspeito e tenta resolver a pendenga sem a presença da polícia. Essas cenas são de uma simplicidade gritante, mas ganham densidade na postura e na conduta do personagem, que não esconde o embaraço diante do constrangimento alheio. Vincent Lindon está sóbrio, com olhar sofrido e gestos contidos. É uma atuação meticulosa, cuja força vem de dentro para fora. Impossível não se emocionar quando, no meio de tanta dificuldade e injustiça, Thierry se permite um sorriso ao dançar com a família.

Cotação: ***1/2

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