CRÍTICAS ESTREIAS

Yonlu: Suicídio com plateia virtual

Em junho de 2006, Vinicius Gageiro Marques, de 16 anos, cometeu suicídio em sua casa, em Porto Alegre. A tragédia teve um agravante: ele transmitiu a própria morte pela internet, para uma plateia virtual que se dividia entre os que queriam salvá-lo e outros que vibravam com o que viam.

Esse triste acontecimento está no centro de Yonlu, batizado com o pseudônimo do rapaz. Yonlu sofria de depressão e outros transtornos e o filme ressalta a importância de se falar sobre um tema ainda tabu. Mas a produção vai além e o diretor Hique Montanari promove um raro mergulho sensorial audiovisual.

Vinicius era músico e deixou dezenas de composições como legado. Algumas delas estão na trilha, em mais um elemento para compreendermos o que se passava em sua mente. Ele também realizava obras de artes visuais, traduzidas em cenas animadas, sequências oníricas e outros significativos voos estéticos.

Outra onda grandiosa de elogios precisa ser dedicada a Thalles Cabral (Teu Mundo Não Cabe Nos Meus Olhos) como protagonista. Portanto, temos um ator inspirado, que acredita na proposta ousada de um diretor que sopra um bem-vindo frescor no cinema gaúcho.

Filmes corajosos como Yonlu e Ponto Zero (2016) indicam que o Rio Grande do Sul aspira uma assinatura própria mais interessante do que o grosso da produção local.

 

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