CRÍTICAS ESTREIAS

Yorimatã: Amor musical

Documentários recentes têm tido o mérito de iluminar personalidades marcantes da cultura nacional, até então relegadas ao baú do esquecimento. Eu Sou Carlos Imperial e Glauco do Brasil, lançados este ano, por exemplo, deram dimensão aos feitos de Imperial no cenário musical e audiovisual, e às pinturas de Glauco no universo da pop art mundial.

Cantoras, compositoras e instrumentistas, Luhli e Lucina produziram durante 25 anos e compuseram 800 músicas, interpretadas por nomes como Ney Matogrosso, Nana Caymmi e Tetê Espíndola. Esse expressivo legado artístico já validaria a produção do documentário Yorimatã, mas se a alquimia musical da dupla explodia no palco, ao violão ou no batuque furioso dos tambores, a afinidade pessoal era ainda mais profunda.

O diretor estreante Rafael Saar conta aqui a história de um amor fora dos padrões e revolucionário, mesmo para os libertários anos 70. Em meio ao movimento hippie, Luhli e Lucina assumiram a relação a três com o fotógrafo Luiz Fernando Borges da Fonseca, que rendeu filhos e perdurou até a morte dele. A abordagem desse controverso modelo familiar é feita com sensibilidade através de valiosas cenas caseiras da época e do cotidiano atual de Luhli e Lucina.

Yorimata_still_12_Luiz Fernando Borges da Fonseca

Embora seja o vértice do triângulo amoroso, o fotógrafo é coadjuvante nesse painel e aparece pouco. Saar se debruça sobre as duas forças na natureza em lento compasso. A princípio, passeia entre o presente e o passado de cada uma e desvenda personalidades singulares. Só então promove o encontro de almas, que ocorreu de forma casual, mas que gerou preciosos frutos sentimentais e artísticos.

A esse enfoque íntimo e pessoal, o diretor adiciona os tradicionais depoimentos de parceiros e intérpretes, especialmente Ney Matogrosso, que entre muitas canções da dupla gravou “Bandoleiro”, “O Vira” e “Fala”. Eleito o melhor filme pelo júri e pelo público no Festival In-Edit Brasil em 2015, Yorimatã estreia nesta quinta, 7, em São Paulo, Rio de Janeiro e Niterói. Em seguida, entrará em cinemas de todo o Brasil.

Cotação: ***1/2

 

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