ENTREVISTAS ESTREIAS

Cauã Reymond é a grande surpresa de Uma Quase Dupla

Há 20 anos, o carioca Cauã Reymond andava por Milão e Paris, onde trabalhava como modelo. A beleza também o levou a Nova York, só que ali ele aproveitou para estudar no lendário Actor’s Studio, berço de astros como Marlon Brando e Al Pacino. Do Mau-Mau de Malhação, passando pelo Halley de A Favorita e o Jorginho de Avenida Brasil, Reymond se firmou como astro na TV.

Mas se hoje, aos 38 anos, o físico continua um chamariz, é pela trajetória artística que ele ganhou prestígio e prêmios. Reymond voltou-se para o cinema como ator e produtor. Dramas como Se Nada Mais Der Certo, Alemão, Tim Maia e Reza a Lenda têm estampado seu nome na tela grande. E então, de repente, ele surpreende com Uma Quase Dupla. Você nunca o viu tão relaxado e divertido em cena.

Parte da “culpa” é de Tatá Werneck, sua parceira na comédia de Marcus Baldini, diretor dos sucessos Bruna Surfistinha e Os Homens São de Marte… E é Pra Lá Que Eu Vou. Eles são Keyla e Claudio, policias de estilos opostos destacados para desvendar uma série de assassinatos na fictícia cidade de Joinlândia.

Claudio é um subdelegado acostumado à vida pacata e Keyla a experiente investigadora enviada do Rio de Janeiro. Reymond sabe que Uma Quase Dupla destoa do resto de sua filmografia, e o objetivo era exatamente esse, como ele revela na entrevista a seguir.

O estilo de humor da Tatá a gente conhece, mas para você que costuma investir no cinema de arte é um registro bem diferente. Como entrou no projeto?

CAUÃ REYMOND – Na verdade, o projeto foi uma ideia minha e da produtora Bianca Villar (da Biônica Filmes). Estava querendo fazer uma comédia de humor negro e comecei a conversar com a Bianca, com quem produzi o Reza a Lenda e agora o Dom Pedro, que será dirigido pela Laís Bodanzky. Realmente tenho circulado mais nesse segmento de arte de que falou, inclusive como coprodutor de Alemão, Tim Maia e Não Devore Meu Coração, que levamos para Sundance e Berlim ano passado… Mas queria fazer uma comédia mais estilizada e veio essa ideia de formar uma dupla de policiais com a Tatá.

O quanto a entrada dela influenciou o filme que pretendiam fazer?

O projeto cresceu e foi tomando a forma de uma comédia de entretenimento, mais família e para o grande público. A Tatá trouxe a equipe de roteiristas com quem trabalha no programa Lady Night e em outros projetos. Participei de todas as etapas e aproveitei para aprender bastante sobre o universo da comédia.

A trama se passa no presente, mas o estilo é oitentista. Vocês se inspiraram nos filmes policiais daquela década?

Você quer dizer tipo o (Carey) Mahoney (de Loucademia de Polícia) e o Magnum (risos)? Com certeza. Foi uma brincadeira, um exercício de diversão. Eu vinha da minissérie Dois Irmãos e da série Justiça, que eram dramas muito verticais, densos, e fazer uma comédia foi a chance de me reciclar. É um filme construído a várias mãos, não tem uma digital única, foi um processo colaborativo.

Seu personagem, Claudio, é ingênuo, filhinho da mamãe, mas tem instinto policial. Sempre o visualizou assim?

Quando fechamos a participação da Tatá, eu como grande admirador do humor dela, que é rápido e sagaz, realmente achei que encaixaria bem fazer o Claudio como um sujeito com um raciocínio mais lento (risos). É um humor no estilo de O Grande Lebowski, Queime Depois de Ler, E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?, todos dos irmãos Coen. Muitos desses personagens me inspiraram e assim formamos uma dupla de policiais de estilos diferentes, em que não há briga para ver quem é mais esperto. Essa dinâmica foi se desenvolvendo, só não sabia que o Claudio ia usar aquela calça apertada, ter bigode…, mas o timing já planejamos dessa forma.

Como faz para acompanhar o ritmo de improvisação da Tatá?

Esse é um filme despretensioso, de puro entretenimento, no qual tento brincar de siga o mestre. Claro que foi desafiador improvisar com ela, mas ao mesmo tempo tínhamos de seguir um roteiro com começo, meio e fim. Não era um stand up, então me apoiei no texto e ia usando minha intuição. Quando Tatá propunha alguma improvisação, a gente via como se encaixaria na história e ensaiávamos. Se no filme parece improviso, é porque o ensaio deu certo. Não era câmera aberta e vamos lá. O Baldini trabalhou com planos muito específicos. Uma das coisas que definimos era que o Claudio faria um humor calcado na reação às ações e falas da Keyla.

O que essa comédia significa para sua carreira?

De tempos em tempos é preciso buscar alguma coisa que nos coloque em lugares não propriamente desagradáveis, mas desconfortáveis, então quando fui atrás de fazer comédia queria sair da minha zona de conforto. Da mesma forma que fiz novelas, circulei pelo cinema de baixo orçamento e fiz cinema mais cabeça. Essa é uma característica do artista que sou, sempre em busca de novidades. A comédia foi um respiro singular.

Uma Quase Dupla foi rodado ano passado e já está estreando. Você não pena muito mais para lançar seus filmes de arte? 

E como peno. Tanto que vamos rodar o Dom Pedro (título final pode ser A Travessia de Pedro) no segundo semestre e é uma ideia que estamos desenvolvendo há no mínimo sete anos, mas em outubro começa! Estou trabalhando para transformar o Dom Pedro em minissérie e botando todas as minhas fichas em contar a história desse homem de uma forma não caricata.

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