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Curta-metragem antes de Moana é dirigido por brasileiro

Já faz parte do programa de quem vai assistir aos desenhos da Disney no cinema conferir o curta-metragem animado que antecede o longa. São pequenas pérolas que revelam novos talentos e ganham inclusive Oscars, caso de O Banquete (2014) e O Avião de Papel (2012). Para o público brasileiro que vai ver Moana – Um Mar de Aventuras a partir de 5 de janeiros nos cinemas, Trabalho Interno, que será exibido antes, tem um atrativo especial: é dirigido pelo brasileiro Leo Matsuda.

O diretor estrante atua no departamento de histórias da Walt Disney Animation Studios e tem nos créditos o storyboard de Zootopia, Operação Big Hero e Detona Ralph. Antes, Matsuda trabalhou no departamento de layout de personagens em Os Simpsons – O Filme, na 20th Century Fox, e como storyboard artist júnior em Rio, na BlueSky Studios, além de ter sido estagiário de storyboard na Pixar Animation Studios.

Com estilo único e acelerado que combina CG e animação tradicional desenhada à mão, Trabalho Interno mostra a rotina de Paul, um sujeito tímido e solitário que vive uma  luta constante entre seu lado lógico e pragmático e sua outra metade aventureira e livre. É o eterno conflito entre cérebro e coração, aqui explorado com muito bom humor.

Foi inevitável pensar em Divertida Mente quando assisti a Trabalho Interno. Ambos falam dos nossos sistemas internos, não acha?

LEO MATSUDA – Quando começamos o projeto, Divertida Mente estava em produção e pouco sabíamos da história. Mas o próprio John Lasseter comentou que seriam muito diferentes. Trabalho Interno é baseado na minha história pessoal. Sou brasileiro descendente de japoneses, então tenho essa dualidade muito forte dentro de mim. Meu lado japonês é metódico, disciplinado e pragmático, enquanto meu lado brasileiro gosta de festa e carnaval. Nasci e cresci em São Paulo, e apesar de ser geneticamente japonês, minha alma é brasileira. O fato de ter nascido nos anos 80 também me influenciou muito. Como não havia internet, eu encontrava entretenimento nos livros, principalmente na Enciclopédia Britânica. Lembro que no volume 8 havia aquelas páginas de acetato transparentes que mostravam a anatomia do corpo humano, e me fascinava ver como todos os sistemas e órgãos trabalhavam juntos.

Essa dualidade se reflete também no desenho, que tem uma parte feita à mão e a outra em computação gráfica.

Exatamente. O cérebro é o órgão mais complexo do ser humano, então no começo a gente imaginou fazer algo bem sci-fi e com bastante movimento de câmera. Mas notamos que o humor se perdeu nesse formato e o humor era nosso foco, tínhamos de passar nossa mensagem com humor. Percebemos que quanto mais simples e direto, mais engraçado ficava. Encontramos humor na forma gráfica do 2D e também queríamos dar a sensação de o público fazer parte de um livro, de uma história que está sendo lida.

Quando tempo durou a produção?

Um projeto como esse normalmente leva um ano, mas esse levou o dobro por falta de pessoal mesmo. A equipe estava toda dedicada ao Zootopia. Naquela época, o curta iria ser apresentado antes do Zootopia, mas o adiamento foi muito bom, pois tivemos um ano a mais para desenvolver.

O que usou da experiência que teve na equipe de sucessos como Zootopia e Operação Big Hero?  

Por ter trabalhado muito próximo dos diretores desses projetos, pude entender como ser produtivo e eficaz. A equipe de Trabalho Interno era pequena, um barquinho no meio de navios. Outra coisa que me ajudou bastante foi ter trabalhado com storyboards. Quando você faz o storyboard de uma sequência, está praticamente dirigindo aquela cena, e como cada sequência tem começo, meio e fim, fazer o storyboard nos dá uma noção de estrutura, de como um filme deve funcionar.

O fato de o curta ser exibido antes de Moana gerou uma preocupação maior quanto ao público infantil?

No começo, tínhamos muito mais órgãos para explorar. Mas como é um curta, então foi preciso focar. Havia o apêndice, o esqueleto e outros sistemas. Não havia tempo para explorar tudo. Dava para fazer muito mais coisa com a bexiga, por exemplo. Mas tivemos de otimizar e decidimos explorar a dualidade entre coração e cérebro.

 

 

 

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