ENTREVISTAS ESTREIAS

Diretora de Sinfonia da Necrópole acredita que existe preconceito com musicais

Cena do filme Sinfonia da Necrópole (2014)

É difícil acreditar quando personagens param tudo o que estão fazendo para cantar no meio da rua. Agora imagine que a mesma situação ocorre em um cemitério. É com essa mistura de suspense, comédia e musical que Sinfonia da Necrópole chega aos cinemas. Aparentemente, a receita ousada deu certo, pois o filme fez passagens triunfantes em diversos festivais de cinema no Brasil e no exterior.

“Eu tinha curiosidade de ver a reação das pessoas, principalmente por ser um musical, que tem preconceito”, disse a diretor Juliana Rojas (Trabalhar Cansa) à Revista PREVIEW. “Pelo que vimos, foi uma recepção muito boa por causa da coisa farsesca e lúdica do filme, e dos personagens carismáticos – as crianças adoram o Deodato.”

O protagonista é empregado em um cemitério com a missão de auxiliar no recadastramento de covas. O objetivo é descobrir túmulos abandonados e criar mais vagas para sepultamentos. Com isso, o roteiro faz uma alegoria sobre especulação imobiliária.

“Queria que as pessoas fizessem essa relação”, afirma Rojas. “Existe isso no filme na fala do administrador, que apresenta o projeto como algo bom, mas tem suas contradições, porque sempre acaba desalojando os mais pobres.”

“A Juliana foi corajosa de se arriscar muito no filme, com mistura de gêneros, atores de teatro no elenco e uma atuação diferente”, opina Eduardo Gomes (Quando Eu Era Vivo), ator para quem Deodato foi escrito. “Esse humor tão peculiar me atrai e ela consegue transferir isso para o filme de forma sincera.”

A fórmula única do filme não era preocupação para Luciana Paes (Amor em Sampa), atriz que interpreta Jaqueline, personagem que chefia o recadastramento no cemitério. “Para mim, esse foi o primeiro papel maior e enquanto faço o filme tenho dificuldade de pensar que um dia vai passar em algum lugar”, confessa. “Eu acho aflitivo se assistir, mas não tive a coisa de pensar se iria funcionar ou não, apesar de ser um filme que eu gostaria de ver como espectadora.”

Para Eduardo, o medo habita na faceta musical. “Não sou cantor, mas com muita dedicação trabalhei o instrumento vocal”, comenta. “Isso foi o que mais me assustou no filme – mais do que gravar no cemitério de noite.”

Outro obstáculo para Sinfornia da Necrópole foi a demora na estreia – o filme estreou no Festival de Paulínia 2014. “Estava preocupado com essa demora, pois são três anos desde que filmamos e teve a questão de liberação de direitos autorais de música”, disse Gomes sobre um descuido comum no cinema nacional, mas o ator mantém o otimismo. “Talvez a demora aumente a curiosidade e mais pessoas sabem que o filme existe.”

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